Sexta, 10 de outubro de 2008, 4h48
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Fonte: Redação Terra
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Mercado financeiro
Ásia: bolsas despencam e pânico toma conta de investidores
Atualizada às 8h10
Os principais mercados acionários da Ásia despencaram nesta sexta-feira. O índice Nikkei, do Japão, encerrou a semana com queda acumulada de 24%, enquanto o dólar americano se valorizou e atingiu a maior cotação em 14 meses frente a uma cesta de moedas. O pânico tomou conta dos investidores que avaliam que os esforços feitos até agora não foram suficientes para interromper o avanço do caos financeiro.
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O corte sincronizado de juros feito por diversos bancos centrais esta semana foi considerado com uma ação pequena e atrasada. Além disso, investidores duvidam que a reunião do grupo dos sete países mais desenvolvidos (G7), nesta sexta-feira, possa chegar a algo relevante para por fim à
crise.
O índice Nikkei , da bolsa de Tóquio, encerrou o pregão com uma queda de 9,6%, elevando para 24% as perdas da semana, mais do que o dobro do tombo registrado em 1987, na semana em que os mercados acionários ruíram pelo mundo.
Os mercados japoneses estarão fechados na segunda-feira por conta de um feriado, o que acabou fazendo com que os investidores reduzissem suas posições.
Além disse, a seguradora de capital fechado Yamato Life Insurance entrou com pedido de falência por causa da crise financeira, o que causou choque entre investidores, que pensavam que o setor financeiro asiático, em especial o japonês, estava relativamente estável, se comparado ao europeu
e ao americano.
O índice MSCI da região Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, registrou desvalorização de 7%,
atingindo o menor patamar em quatro anos. Somente nesta semana, o indicador amargou perda de 20%.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng perdeu 8% de seu valor, chegando bem próximo ao menor patamar registrado em três anos. O valor de mercado das empresas listadas na bolsa local já foi reduzido em praticamente 50% desde o início deste ano.
Na Coréia do Sul, o índice Kospi perdeu 7,27% de seu valor.
O governo da Indonésia resolveu manter o mercado de Jacarta fehcado por mais um dia, depois de dois dias de suspensão dos negócios.
Na Austrália, a bolsa de valores local fechou em queda de 8,3%, a maior queda diária em ao menos 16 anos. Na Nova Zelândia, o índice NZX-50 caiu 4,7%.
O mercado acionário chinês também fechou no vermelho, mas o resultado, em comparação com as demais praças asiáticas acabou não sendo tão ruim.
O índice da bolsa de Xangai encerrou o pregão da sexta-feira com queda de 3,57%. Na semana, a queda acumulada foi de 12,78%.
O resultado foi favorecido por uma recuperação dos papéis de bancos, diante das expectativas de uma intervenção do governo no setor.
O índice KLCI, da bolsa de Valores de Kuala Lumpur, da Malásia, caiu hoje 34,88 pontos (3,6%), fechando aos 934,01 pontos.
Na quinta-feira, Wall Street despencou, com o Dow Jones cedendo 7,33% e o Nasdaq, 5,47%, após uma onda de pânico no final da sessão que tomou conta dos investidores, preocupados com as perspectivas dos bancos e da General Motors.
No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) emendou a sexta queda consecutiva na quinta-feira. Depois de ter operado no azul na maior parte do dia, o Ibovespa não conseguiu resistir à piora externa e caiu 3,92%, aos 37.080 pontos. Com isso, o índice já acumula desvalorização de 42% em 2008. O giro financeiro somou R$ 5,54 bilhões.
Ajuda de emergência
Com o agravamento da crise financeira, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, anunciou nesta quinta-feira em Washington que o Fundo ativou um mecanismo de emergência para ajudar países que estão sendo seriamente afetados pela turbulência.
O mecanismo, criado em 1995, permite a aprovação de empréstimos mais rapidamente pelo fundo. Foi usado pela primeira vez durante a crise asiática de 1997, quando Tailândia, Filipinas, Indonésia e Coréia do Sul foram beneficiados.
"Nós estamos prontos para responder a qualquer pedido de países que enfrentam problemas", disse Kahn, acrescentando que alguns países desenvolvidos podem ser ajudados. Segundo ele, já há alguns países em vista como possíveis candidatos à ajuda do FMI, mas se recusou a divulgar quais.
Recessão global
Também nesta quinta-feira, o diretor-gerente do FMI disse que o mundo está entrando em uma "recessão global" e que o sistema financeiro internacional só deve começar a se recuperar da atual crise na segunda metade de 2009.
"Nosso parecer é que o crescimento das economias avançadas será próximo de zero no ano que vem e de cerca de 3% na economia global", disse Strauss-Kahn. "Assim, estamos à beira de uma recessão global."
"Na primavera (no hemisfério norte, outono no Brasil), o FMI foi criticado por ser pessimista demais", acrescentou. "Infelizmente, fomos otimistas demais."
Strauss-Kahn também comentou o avanço da crise bancária na Europa e afirmou que os países da União Européia precisam adotar ações coordenadas em relação ao problema. Para o diretor-gerente do FMI, qualquer ação unilateral - como as que foram anunciadas nos últimos dias por vários países do bloco - "precisa ser evitada ou mesmo condenada".
"Faço um apelo aos países europeus para que trabalhem juntos", acrescentou. "Não há solução doméstica para uma crise como esta."
Também nesta quinta-feira, o Banco Central Europeu injetou mais US$ 100 bilhões no sistema bancário dos países que adotam o euro como moeda, além de dar crédito ilimitado aos países do bloco até pelo menos janeiro do ano que vem.
Fora da zona do euro, a crise deu sinais de mais intensificação na Islândia. As injeções de capital ocorreram depois que sete bancos centrais de todo o mundo anunciaram juntos uma redução nas taxas de juros, em uma ação coordenada para tentar frear o desaquecimento econômico.
Com agências internacionais..

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| A bolsa da Malásia também seguiu o comportamento de perdas dos mercados asiáticos |
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