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 Governo estuda aporte de ativos na Petrobras para pré-sal

27 de agosto de 2008 • 13h42

O aumento da participação do governo no capital da Petrobras para

garantir a posse do pré-sal ganha cada vez mais corpo junto a

interlocutores do presidente Lula, mas o aporte seria feito com

ativos da União e não com recursos, como vem sendo especulado.

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"Isso é uma idéia que está sendo pensada para o pré-sal, um

aporte não de dinheiro, mas de ativos da União", disse uma

fonte próxima às negociações que pediu para não ser identificada.

A opção evitaria o desembolso do governo e um eventual

atraso na exploração das reservas, o que aconteceria se a

discussão sobre o pré-sal tivesse que passar por mudanças

regulatórias e, conseqüentemente, pelo Congresso Nacional.

A idéia seria manter o atual modelo de concessões, mas com

o governo mais poderoso dentro da estatal e a cobrança de taxas

maiores pela produção no pré-sal, uma área que se estende do

Espírito Santo a Santa Catarina e que pode conter bilhões de

barris da commodity.

A moeda de troca do governo pelas ações da companhia seria

o petróleo contido nos campos ainda não licitados do pré-sal, e

que podem estar unidos aos já descobertos.

"A parte que extrapola o limite do bloco (da bacia de

Santos) entra em áreas não licitadas e pertence à União. A

União pode usar como ativo para aportar na Petrobras", explicou a fonte.

Segundo a fonte, a idéia foi apresentada pelo presidente da

Petrobras, José Sérgio Gabrielli, na reunião de terça-feira da

comissão interministerial.

"Lá no futuro, quando estiver confirmado (óleo nos campos

não licitados), isso teria um valor, então isso pode ser

entregue à Petrobras como aporte de capital, uma troca onde o

governo receberia ações da Petrobras em vez de ficar com as

reservas de petróleo", explicou a fonte, que descartou que a

empresa esteja pensando em emitir ações no momento.

Na semana passada, Gabrielli afirmou que a

estatal estava estudando, mas não planejando, emitir ações.

O plano de negócios da estatal para o período 2009-2013,

que terá investimentos na área do pré-sal, antes previsto para

setembro, foi transferido para outubro, segundo a fonte.

Ações afetadas


Apesar de resolver um problema de caixa do governo, que

teria que desembolsar uma soma elevada para capitalizar a

empresa para aumentar sua participação, a estratégia não seria

bem recebida pelo mercado acionário, já que iria se configurar

em um tratamento desigual entre os acionistas.

"Aportando barris de petróleo na empresa fica aparentemente

um indício de favorecimento ao acionista majoritário em

detrimento do acionista minoritário, que só pode aportar

dinheiro", avaliou Felipe Cunha, do Banco Brascan.

"Isso cria uma diferenciação muito grande entre o acionista

minoritário e majoritário, não vejo com bons olhos essa alternativa", avaliou.

As ações da Petrobras operavam em alta nesta quarta-feira,

impulsionadas pela disparada do preço do petróleo em função da

possibilidade de a tempestade Gustav se transformar em furacão

e prejudicar a exploração petrolífera no Golfo do México.

Por volta das 12h40 (horário de Brasília), os papéis

preferenciais da companhia subiam 1,81%, enquanto o

Ibovespa tinha alta de 0,65%.

O comportamento das ações das empresas de petróleo

normalmente segue o desempenho do preço da commodity. No caso

da Petrobras, no entanto, já está sendo percebida influência

negativa também das expeculações em torno do destino das

reservas do pré-sal e as mudanças que serão feitas para a sua exploração.

Segundo um analista de um grande banco, enquanto o preço do

barril do petróleo caiu 20% desde o pico de US$ 147, em 3 de julho, as ações da Petrobras desvalorizaram 35%.

"Isso mostra que a desvalorização da empresa não é só a

queda da commodity, é reflexo dessa discussão toda, desse disse

me disse, que só atrapalha a Petrobras", afirmou o analista que

pediu para não ser identificado.

Pelas contas do analista, a queda de 35% das ações

preferenciais da Petrobras significam uma perda de valor de

mercado da ordem de R$ 190 bilhões. Desse total, 20% seriam em função da queda do petróleo e 15% das especulações.

"O que o governo conseguiu até agora foi desvalorizar a

Petrobras em R$ 80 bilhões. Toda essa discussão está

sendo muito prejudicial à Petrobras", afirmou o analista.

Reuters News


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