Terça, 22 de julho de 2008, 11h37
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Fonte: AFP

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Economia internacional
Brasil considera insuficiente proposta dos EUA sobre subsídios
Atualizada às 16h50
Os Estados Unidos tentaram dar
prosseguimento aos esforços para salvar um acordo sobre o
comércio mundial oferecendo, na terça-feira, diminuir o teto
dos seus polêmicos subsídios agrícolas, mas os principais
países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, consideraram a medida insuficiente.
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A representante de comércio do governo americano,
Susan Schwab, anunciou que seu país está pronto para limitar os
subsídios a um total de US$ 15 bilhões ao ano desde que
países como o Brasil e a Índia também façam concessões para
salvar as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).
"Essa é uma importante medida, feita de boa fé na
expectativa de que outros agirão de forma semelhante e se
apresentarão para melhorar as ofertas sobre o acesso aos
mercados", afirmou Schwab.
A manobra vinda da parte dos americanos, aguardada
havia muito tempo, surgiu em meio a uma semana de esforços
feitos por ministros do Comércio para garantir um acordo sobre
os produtos agrícolas e manufaturados - as questões centrais
da atual rodada de negociações de Doha, iniciada pela OMC sete anos atrás.
Os países em desenvolvimento reclamam há muito tempo do
grande volume de subsídios pagos pelos EUA, o que expulsaria
seus agricultores do mercado, diminuindo a oferta de alimentos
e contribuindo para a recente disparada dos preços globais.
No entanto, os preços altos fizeram com que o governo
americano diminuísse os gastos com programas agrícolas
criados para incentivar a produção - e que distorcem o
comércio - para cerca de US$ 7 bilhões no ano passado,
bem abaixo dos US$ 48,2 bilhões permitidos atualmente
pelas regras da OMC.
Schwab disse que a oferta desta terça-feira demandaria do
Congresso americano que reforme as leis do setor
agrícola. O presidente dos EUA, George W. Bush, vetou este ano
uma lei que aumentava os subsídios, mas acabou vendo sua medida
derrubada pelos congressistas.
Tom Harkin, chefe do Comitê Agrícola do Senado dos EUA,
recebeu bem a manobra feita pelo governo americano,
afirmando em um comunicado que isso demostra a disposição dos
EUA para negociar com boa fé e completar a rodada. Harkin
ressaltou, porém, que outros países deveriam agora fazer
concessões também.
A manobra, no entanto, não impressionou todas as nações de
peso que participam da Rodada de Doha - países fundamentais
para garantir que um acordo seja selado nesta semana, evitando
que as negociações sejam suspensas, provavelmente por alguns anos.
"Minha resposta imediata é de que isso não passa pelo
'teste da risada'", afirmou uma importante autoridade indiana.
O Brasil defendeu a realização de cortes maiores. "Este é
apenas o segundo dia de conversas. Imaginamos então que há
espaço de manobra para reduções mais profundas", disse um
diplomata brasileiro.
O Brasil e a Índia são peças-chave para o processo porque
os EUA e a União Européia exigem que as grandes economias em
desenvolvimento abram seus mercados para produtos manufaturados
e agrícolas em troca de reformarem seu setor agropecuário.
A UE disse que a oferta americana é razoável, mas que
poderia ser melhorada caso as negociações desta semana avancem.
Com informações da Reuters
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