Segunda, 21 de julho de 2008, 8h44
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Fonte: BBC Brasil
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Economia Internacional
Reunião 'decisiva' na OMC tenta salvar Rodada Doha

Márcia Bizzotto
Ministros de cerca de 35 países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) participam, a partir desta segunda-feira, em Genebra, de uma reunião considerada decisiva para o futuro da Rodada Doha de liberalização do comércio global.
» Entenda a Rodada de Doha
As negociações, que se arrastam desde 2001, estarão centradas em definir as modalidades de produtos que poderão ter tratamento diferenciado nos capítulos de agricultura e bens industriais na hora de cortar tarifas de importação ou subsídios.
O único aspecto que os países tipicamente exportadores de produtos agrícolas parecem ter em comum com os exportadores de bens industriais é a certeza de que um acordo agora é fundamental para a economia mundial, abalada pela atual crise alimentar.
Na semana passada, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, alertou que o fracasso dessa reunião representará "mais uma nuvem" no cenário global e "cobrará um preço muito alto".
Por sua vez, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, vaticinou que, na falta de um acordo agora, a Rodada terá que ser congelada durante pelo menos quatro anos, por conta das eleições presidenciais nos Estados Unidos, em novembro, e das eleições européias de junho de 2009.
Diferenças
Amorim chegou a Genebra na sexta-feira passada e, durante o fim de semana, manteve reuniões bilaterais com os negociadores dos Estados Unidos, da União Européia, e Lamy, além de ter participado de encontros com líderes do G20, o grupo dos países emergentes, para acertar uma agenda comum na luta pela redução dos subsídios agrícolas dos países ricos.
Uma nota divulgada pelo Itamaraty neste domingo informou que os "ministros e altos funcionários" do G20 e de outros grupos que representam países em desenvolvimento (Grupo Africano, Caricom, entre outros) voltaram a criticar os "subsídios gigantescos" dos países desenvolvidos, e pediram "liderança" desses países, neste momento "decisivo" da Rodada de Doha.
A nota diz ainda que os representantes dos países em desenvolvimento "enfatizaram o papel central das negociações agrícolas" na Agenda do Desenvolvimento de Doha, lembrando que a maioria dos agricultores do mundo encontra-se nos países em desenvolvimento.
"Esses agricultores continuam a sofrer com subsídios gigantescos que distorcem o comércio e com barreiras que impedem o acesso aos mercados dos países desenvolvidos. O fim dessas distorções permanece como a principal tarefa da OMC", afirma a nota.
No sábado, em entrevista coletiva, o chanceler brasileiro deixou claro que, apesar da declarada disposição geral, as ambições dos sócios da OMC para o acordo continuam sendo opostas.
Segundo Amorim, o Brasil não aceitará novas exigências ao capítulo de bens industriais e pedirá maior corte dos subsídios agrícolas.
Já a União Européia defende que as concessões em agricultura chegaram ao limite e considera que uma das prioridades é garantir cláusulas que limitem a flexibilidade concedida aos países em desenvolvimento na proposta industrial.
Obstáculos
Outra questão polêmica será a disputa entre países pelo mercado europeu de bananas, que pode travar a negociação em torno da definição da lista de produtos agrícolas considerados tropicais, que teriam acesso mais rápido a um mercado liberalizado.
Na sexta-feira um grupo de países exportadores latino-americanos recusou a proposta da UE de reduzir suas barreiras para o produto nos próximos sete anos.
Liderados por Equador, eles exigem uma liberalização profunda, que lhes permitam competir em igualdade com os exportadores do chamado grupo ACP (África, Caribe e Pacífico), países mais pobres, beneficiados atualmente por um sistema preferencial de isenção de tarifas na Europa.
Além das diferenças entre si, muitos sócios da OMC também enfrentam oposição interna em relação a sua postura nas negociações.
O presidente de turno da UE, o francês Nicolas Sarkozy, já criticou repetidamente as ofertas de seu negociador chefe, o comissário de Comércio, Peter Mandelson, e alertou que não permitirá novas concessões no capítulo agrícola.
Já a representante comercial americana, Susan Schwab, sofre forte pressão do Senado de seu país para não aceitar um corte maior nos subsídios agrícolas. Ao mesmo tempo, o Brasil, que se diz preparado para fazer maiores concessões no capítulo industrial, deve levar em consideração a resistência da Argentina, seu sócio no Mercosul.
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