Brasil 20:38 HS - 9/2/2010  NotíciasAções

Dicionário

O que significa?

Escreva aqui o termo financeiro procurado.

Segunda, 21 de julho de 2008, 8h44

Fonte: BBC Brasil

Economia Internacional

Reunião 'decisiva' na OMC tenta salvar Rodada Doha

BBC Brasil




Márcia Bizzotto

Ministros de cerca de 35 países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) participam, a partir desta segunda-feira, em Genebra, de uma reunião considerada decisiva para o futuro da Rodada Doha de liberalização do comércio global.

» Entenda a Rodada de Doha

As negociações, que se arrastam desde 2001, estarão centradas em definir as modalidades de produtos que poderão ter tratamento diferenciado nos capítulos de agricultura e bens industriais na hora de cortar tarifas de importação ou subsídios.

O único aspecto que os países tipicamente exportadores de produtos agrícolas parecem ter em comum com os exportadores de bens industriais é a certeza de que um acordo agora é fundamental para a economia mundial, abalada pela atual crise alimentar.

Na semana passada, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, alertou que o fracasso dessa reunião representará "mais uma nuvem" no cenário global e "cobrará um preço muito alto".

Por sua vez, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, vaticinou que, na falta de um acordo agora, a Rodada terá que ser congelada durante pelo menos quatro anos, por conta das eleições presidenciais nos Estados Unidos, em novembro, e das eleições européias de junho de 2009.

Diferenças
Amorim chegou a Genebra na sexta-feira passada e, durante o fim de semana, manteve reuniões bilaterais com os negociadores dos Estados Unidos, da União Européia, e Lamy, além de ter participado de encontros com líderes do G20, o grupo dos países emergentes, para acertar uma agenda comum na luta pela redução dos subsídios agrícolas dos países ricos.

Uma nota divulgada pelo Itamaraty neste domingo informou que os "ministros e altos funcionários" do G20 e de outros grupos que representam países em desenvolvimento (Grupo Africano, Caricom, entre outros) voltaram a criticar os "subsídios gigantescos" dos países desenvolvidos, e pediram "liderança" desses países, neste momento "decisivo" da Rodada de Doha.

A nota diz ainda que os representantes dos países em desenvolvimento "enfatizaram o papel central das negociações agrícolas" na Agenda do Desenvolvimento de Doha, lembrando que a maioria dos agricultores do mundo encontra-se nos países em desenvolvimento.

"Esses agricultores continuam a sofrer com subsídios gigantescos que distorcem o comércio e com barreiras que impedem o acesso aos mercados dos países desenvolvidos. O fim dessas distorções permanece como a principal tarefa da OMC", afirma a nota.

No sábado, em entrevista coletiva, o chanceler brasileiro deixou claro que, apesar da declarada disposição geral, as ambições dos sócios da OMC para o acordo continuam sendo opostas.

Segundo Amorim, o Brasil não aceitará novas exigências ao capítulo de bens industriais e pedirá maior corte dos subsídios agrícolas.

Já a União Européia defende que as concessões em agricultura chegaram ao limite e considera que uma das prioridades é garantir cláusulas que limitem a flexibilidade concedida aos países em desenvolvimento na proposta industrial.

Obstáculos
Outra questão polêmica será a disputa entre países pelo mercado europeu de bananas, que pode travar a negociação em torno da definição da lista de produtos agrícolas considerados tropicais, que teriam acesso mais rápido a um mercado liberalizado.

Na sexta-feira um grupo de países exportadores latino-americanos recusou a proposta da UE de reduzir suas barreiras para o produto nos próximos sete anos.

Liderados por Equador, eles exigem uma liberalização profunda, que lhes permitam competir em igualdade com os exportadores do chamado grupo ACP (África, Caribe e Pacífico), países mais pobres, beneficiados atualmente por um sistema preferencial de isenção de tarifas na Europa.

Além das diferenças entre si, muitos sócios da OMC também enfrentam oposição interna em relação a sua postura nas negociações.

O presidente de turno da UE, o francês Nicolas Sarkozy, já criticou repetidamente as ofertas de seu negociador chefe, o comissário de Comércio, Peter Mandelson, e alertou que não permitirá novas concessões no capítulo agrícola.

Já a representante comercial americana, Susan Schwab, sofre forte pressão do Senado de seu país para não aceitar um corte maior nos subsídios agrícolas. Ao mesmo tempo, o Brasil, que se diz preparado para fazer maiores concessões no capítulo industrial, deve levar em consideração a resistência da Argentina, seu sócio no Mercosul.

Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC Brasil.




Conheça o Invertia em outros países | Faça do Invertia sua home | Página inicial | Fale conosco
Identifique-se | Cadastre-se
Condições de Uso | Política de Proteção de Dados © Copyright 2010, Terra Networks, S.A.

Nota:Todas as cotações são atualizadas a cada 20 minutos