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Quinta, 17 de abril de 2008, 12h47

Fonte: The New York Times

Indústria Automobilística

Apesar de maior, Mini ainda é "pesadelo" de conforto

Lawrence Ulrich

Muita gente chegou bem perto de comprar o elegante e minúsculo Mini Cooper. Até que decidiram conferir o tamanho do assento de passageiros. Qualquer pessoa mais alta do que, digamos, um anão de jardim faria bem em limitar essa avaliação a um olhar pelo vidro, acompanhado por um assobio de ceticismo. Aqueles que cedem à tentação do banco traseiro apertado terminam logo gritando por socorro em voz fininha, como o homem-inseto no final do filme A Mosca.

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Para a Mini, uma renomada marca britânica revivida pela BMW, um modelo maior sempre foi parte dos planos para o segundo ato. Mas a empresa não teria como sustentar sua imagem se decidisse oferecer um modelo tamanho família, e por isso encontrou um compromisso razoável na forma do Mini Clubman. O clube continua a ser bem exclusivo, com comprimento apenas 22 cm maior e um ganho de menos de 8 cm em termos de distância entre eixos, o que o torna um "pesadelo" em relação ao conforto.

O interior do Clubman é igualmente elegante, com as superfícies lustrosas e os floreios decorativos que atraíram tanta gente para o Mini original. Motor, transmissão e outros componentes básicos são também itens já familiares do cardápio Mini.

O que o Clubman acrescenta é espaço, com um modesto ganho de 6 cm no espaço para as pernas do banco traseiro e 50% de espaço adicional para bagagem no porta-malas. O acesso a este é realizado por duas portas de abertura lateral que, como muitos dos demais toques de estilo do Mini, parecem mais indulgentes que inteligentes.

A outra porta adicional do Clubman é o coringa do projeto, literalmente abrindo caminho para os compradores que desejam mais espaço. Na direta, uma porta traseira de passageiros que se abre em direção oposta à da porta da frente cria uma entrada razoável para o assento de trás, que não existia antes.

No meu bairro, Cobble Hill, em Brooklyn, que parece ter sido invadido por crianças, vejo Minis comuns com cadeirinhas infantis na traseira e fico imaginando quem são os proprietários e o que uma ressonância magnética revelaria sobre suas espinhas. Nos Minis estacionados, o encosto do banco de passageiros costuma estar sempre dobrado para frente, em reconhecimento da sacrificada tarefa de instalar e remover bebês do assento traseiro.

O Clubman parece ter sido planejado tendo em mente os pais de filhos pequenos. E porque minha mulher proibiu que eu leve nossa filha de 16 meses comigo em testes de velocidade máxima, eu usei Bianca desta vez para testar o acesso usando a porta traseira especial - e foi muito mais fácil encaixá-la na cadeirinha.

Embora o assento traseiro continue a ser bem menor do que o de um Honda Civic ou outro compacto, agora se tornou mais útil para crianças ou para adolescentes dotados de grande flexibilidade na coluna. Passageiros mais altos forçariam a adoção de uma distribuição mais socialista de recursos, com o motorista e passageiro da frente adiantando um pouco seus bancos.

Como no caso de seu parceiro menor, o Clubman combina inspiração e toques irritantes. Os assentos são maravilhosos, e os materiais excelentes. O Mini também oferece os recursos de segurança e os confortáveis acessórios de um BMW.

Mas o design corre riscos - botões em estilo de avião, maçanetas que poderiam equipar um brinquedo de parque de diversão - que nem mesmo uma empresa ousada como a Toyota correria. E o velocímetro é tão grande que seria capaz de ofender um rapper. Os controles do som, enquanto isso, se preocupam tanto em parecer bonitos que infelizmente se esquecem de cumprir sua tarefa primordial.

As portas do porta-malas, uma referência aos modelos Mini Countryman e Mini Traveller dos anos 60, distinguem o Clubman de seu irmão menor. Parecem bonitas, em princípio, e permitem acesso a um compartimento de carga que se torna bastante espaçoso caso o encosto dos bancos traseiros seja dobrado.

Mas a abertura que elas propiciam, diferentemente de um furgão de carga, não é grande o bastante para justificar o uso de duas portas em luar de uma; uma tampa de erguer comum funcionaria igualmente bem.

Um porta-malas mais convencional também impediria a chuva de entrar na área de carga quando estivesse aberta. E mesmo com os amortecedores a gás usados para atenuar seu movimento, as portas me parecem um tanto barulhentas quando o carro roda - e isso em uma marca já notória por barulhinhos e rangidos variados. As portas duplas, em resumo, parecem ser mais um caso de opção preferencial pela forma em detrimento da função.

O comprimento adicional também prejudica um pouco as elegantes proporções do Mini original, mas, se o Clubman é um pouquinho inferior em termos de estilo, mantém o mesmo desempenho e economia. O modelo pesa 70 kg a mais que o anterior, ou 1,3 tonelada com a transmissão manual de seis velocidades (um câmbio automático de seis velocidades está disponível como opcional).

Os dois motores do Clubman, usados pela primeira vez no modelo 2007, são muito superiores aos propulsores originais do Mini da BMW. O motor básico tem quatro cilindros, 1.600 cc e 118 HP, e o uso de um turbo leva o Clubman S a uma potência de 172 HP, o que propicia a este modelo aceleração de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos.

No que tange ao preço, o Clubman básico custa, nos Estados Unidos, US$ 20,6 mil, e a versão S custa US$ 24,1 mil, ante preços de US$ 18,7 mil e US$ 21,8 mil para o Mini menor. A diferença de preços entre os dois modelos da Mini parece excessiva e, de qualquer forma, o preço parece salgado, para um automóvel subcompacto.

Com opcionais como pacote esportivo, pintura metálica e assentos de couro e tecido, o preço do Clubman sobe a US$ 29,7 mil, e esses itens são apenas o começo dos extras disponíveis.

Mas se os urbanóides antenados que adotaram o primeiro Mini conseguem bancar jantares de US$ 300 e apartamentos com aluguel mensal de US$ 3 mil, um subcompacto de US$ 30 mil parece natural. Especialmente se o carro consegue engolir facilmente aquele carrinho de bebê de grife e seu irrequieto passageirinho.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
Mini Clubman básico custa, nos Estados Unidos, US$ 20,6 mil, e a versão S custa US$ 24,1 mil

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