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 Empresas brasileiras buscam opções com aperto do crédito

19 de Março de 2008 • 19h36

As empresas brasileiras já consideram alternativas, como financiamento bancário e

emissão de papéis apenas no mercado doméstico, para garantir

novos recursos em meio à crise global do crédito.

Bem capitalizadas, as companhias estão suportando bem o

enxugamento das linhas externas, mas têm contemplado diversas

opções, inclusive a de simplesmente postergar novas captações

até que as taxas retornem aos níveis do ano passado. As

alternativas passam também pela busca de recursos em bancos de

fomento ou privados internacionais da Europa e Ásia.

De acordo com profissionais de bancos de investimentos,

esse cenário, bem mais ameno que o enfrentado em crises

anteriores, deve-se à combinação de um mercado de capitais

vigoroso e da queda continuada do dólar frente ao real, o que

permitiu às empresas reduzir e melhorar o perfil de

endividamento, além de obter recursos para investimentos.

"Agora, quem tem dívidas para rolar, está preferindo pagar

ou buscar outras fontes", disse José Guilherme Lembi de Faria,

diretor-executivo do BBI.

A Energias do Brasil, que captou quase R$ 1,2 bilhão com uma oferta pública de ações em 2005, diz

que está bem capitalizada e que não tem planos imediatos de

captação. Se houver, a companhia já sabe em que porta bater.

"Há financiamento de projetos de infra-estrutura que contam

com o apoio do BNDES", afirmou o vice-presidente de finanças e

relações com investidores da companhia, Antônio Sellare.

A Vivo, maior operadora de celular do País em

número de assinantes, começou a alongar o perfil de sua dívida

no ano passado, por meio de uma linha de crédito de R$ 1,5 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outra de R$ 250 milhões junto ao Banco

do Nordeste do Brasil (BNB).

Agora a empresa pretende buscar outra linha no banco

nordestino. O montante de R$ 250 milhões é o máximo

financiado por essa instituição.

"A Vivo também tem uma linha já aprovada junto ao Banco

Europeu de Investimento (BEI) que tem uma opção para captação

em reais ou em euros", disse o diretor de relações com

investidores e de aquisições, Carlos Raimar. A linha é de 250

milhões de euros.

Os volumes disponíveis em caixa são de cerca de R$ 2 bilhões, montante considerado suficiente para pagar a aquisição da Telemig e as despesas previstas no ano. Segundo

ele, a companhia está blindada para um possível fechamento

total dos mercados, já que, além das opções na moeda local, tem

contratadas linhas em stand-by de mais de R$ 1 bilhão. "É

mais que a nossa necessidade em 12 meses", salientou.

Segundo profissionais dos bancos, ainda existe apetite por

papéis de companhias brasileiras, porém em condições mais

restritas.

"Há ofertas para emissões mais curtas, de até três anos",

afirmou Alberto Kiraly, diretor-executivo da área de mercado de

capitais do Banco Espírito Santo. Ainda assim, essas operações

embutem taxas anuais de dois a três pontos percentuais maiores do que

no final do ano passado.

Por isso, mesmo esse tipo de operação tem escasseado. O

BMG, na semana passada, captou US$ 250 milhões com prazo

de dois anos. A oferta inicial era de US$ 100 milhões.

Seguiu os passos do Banco Cruzeiro do Sul, que havia dobrado

para US$ 100 milhões uma emissão com vencimento de um

ano e meio, também devido ao excesso de demanda.

"As companhias estão em melhores condições para não

aceitarem taxas maiores, se quiserem", afirmou Alexander Ian

Carpenter, chefe da área de crédito para América Latina da

Moody's.

Operações de prazo mais longo, explica Kiraly, só para o

seleto grupo das companhias de maior porte, especialmente as

que possuem o selo de baixo risco de crédito das agências

internacionais de classificação.

A Usiminas, que já havia vendido US$ 400 milhões, voltou ao mercado nesta semana e obteve mais US$ 1,3 bilhão.

A Petrobras, que no começo do ano reabriu uma

emissão externa e captou US$ 750 milhões, ainda pretende

captar US$ 5 bilhões até o final do ano, mas está avaliando por

qual instrumento.

"Nós temos várias fontes de captação. Nosso principal

objetivo é o mercado de capitais, ou seja, via emissão de

bônus. Mas existem outras fontes como bancos ou equity. Vamos

analisar o mercado como está se comportando", disse o

presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, explicando que

o assunto não deve comprometer o plano de investimentos de

US$ 112,4 bilhões até 2012.

Dentre as companhias que estão preferindo não esperar a

tempestade passar para buscar recursos novos, há uma clara

preferência por fazê-lo via emissão de papéis de renda fixa,

adequados ao paladar mais exigente dos investidores em tempos

de incertezas.

Segundo números da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o

volume de emissões de debêntures este ano já chega a R$ 32,2 bilhões, o equivalente a mais de dois terços de tudo o que foi emitido no ano passado inteiro. É verdade que, desse

total, R$ 30 bilhões referem-se à captação de empresas de

leasing, o que não se caracteriza como uma "debênture pura".

Ainda assim, os R$ 2,2 bilhões restantes são bem

superiores aos R$ 567 milhões emitidos em igual período

de 2007.

Em notas promissórias, o total de captações subiu de R$ 1,45 bilhão no primeiro quarto do ano passado para R$ 2,1 bilhões no acumulado de 2008 até agora. Já as emissões

de ações registradas totalizaram R$ 11,5 bilhões de

janeiro a março de 2007. No acumulado de 2008 até a última

terça-feira, o volume era de R$ 1,66 bilhão.

Reuters News


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