Quinta, 7 de fevereiro de 2008, 15h09
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Fonte: Redação Terra
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Justiça
Empresas são indiciadas por envenenamento de ração
Louise Story
The New York Times
Duas empresas chinesas e uma importadora norte-americana foram indiciadas na quarta-feira e devem responder à acusação de fraudar intencionalmente e iludir indústrias dos Estados Unidos sobre ingredientes venenosos usados na produção de ração para animais domésticos, no ano passado.
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A contaminação de glúten de milho, um ingrediente usado em ração animal, foi considerada responsável pela morte de 16 cachorros e gatos, e por doenças em milhares de outros, gerando uma das maiores ordens de recolhimento de produtos na história dos Estados Unidos e envolvendo empresas como a Procter & Gamble e a Menu Foods. O caso serviu de prelúdio a uma onda de recolhimento de produtos chineses, no ano passado, incluindo pneus, peixes, bijuterias para crianças e brinquedos.
O indiciamento federal, mencionando e-mails trocados entre o fabricante chinês e o importador norte-americano, diz que o importador do ingrediente contaminado sabia que o produto estava sendo identificado incorretamente a fim de evitar inspeção.
O caso resultou de uma longa investigação conduzida pela Food and Drug Administration (FDA, agência federal norte-americana que regulamenta alimentos e remédios), e foi aberto pela promotoria federal dos Estados Unidos em Kansas City, Missouri, o ponto de entrada do glúten contaminado no país. A acusação solicita multas e sentenças de prisão para os executivos das empresas chinesas Xuzhou Anying Biologic Technology Development e Suzhou Textiles, Silk, Light Industrial Products, Arts and Crafts, bem como para os proprietários da importadora, ChemNutra, que tem sede em Las Vegas.
"Existe uma forte percepção de que o Estado de direito ainda não existe na China, e é isso fundamentalmente que está em questão em todos esses casos de cadeia de suprimento", disse Richard Cellini, vice-presidente da Integrity Interactive, uma consultoria.
Não se sabe se as autoridades norte-americanos poderão solicitar a extradição dos executivos chineses ou impor multas às suas empresas.
"Alguém deveria ser responsabilizado", diz William Howell, cujo cachorro sofreu problemas renais e morreu, no segundo trimestre de 2007, depois de comer ração contaminada. "Não sei se é a Menu Foods, o seu distribuidor na China que incluiu os ingredientes na ração - alguém precisa ser responsabilizado".
Howell, aposentado que vive na Flórida, sacrificou seu cachorro no ano passado depois de vê-lo sofrendo por muitos dias, segundo entrevista que ele concedeu no ano passado. Como muitos proprietários de cachorros, afirmou, ele havia comprado a ração umedecida mais cara para o seu animal, em lugar de ração seca, porque acreditava que isso fosse melhor para o animal.
Depois que surgiram as notícias sobre a contaminação, no segundo trimestre de 2007, todas as empresas indiciadas afirmaram não saber como o produto que pode ser tóxico em caso de ingestão havia chegado ao glúten.
Mas Mao Lijun, proprietário da Xuzhou Aniying, posteriormente reconheceu diante das autoridades chinesas que sua empresa havia usado a substância tóxica para fazer com que o conteúdo protéico do glúten parecesse mais alto, de acordo com documentos judiciais. A ChemNutra exigia que a Zuzhou fornecesse glúten com teor protéico de pelo menos 75%.
A empresa chinesa embarcou pelo menos 13 cargas de glúten contaminado, no total mais de 800 toneladas, por meio da Suzhou Textiles, que criou falsos rótulos para os embarques, de acordo com o indiciamento.
A agência de segurança de produtos da China requer inspeções do glúten de trigo antes da exportação. Para evitar a inspeção, a Suzhou Textiles rotulou os produtos com um código diferente daquele que designa o glúten, de acordo com o indiciamento.
A ChemNutra e seus proprietários, o casal Sally Qing Miller e Stephen Miller, sabia que o embarque havia sido identificado incorretamente de forma deliberada, para que pudesse deixar a China sem inspeção, afirmam os documentos da promotoria norte-americana. Os Miller não disseram essa fraude aos fabricantes de ração.
O governo aponta para mensagens de e-mails enviadas e recebidas pelos Miller em 2006 nas quais os códigos corretos para o glúten de milho e outros produtos eram discutidos.
Além de acusar os Miller de ajudar empresas chinesas a distribuir ração contaminada, o indiciamento também os acusa de fraude contra os fabricantes de ração animal.
Já em janeiro do ano passado um dos clientes estava se queixando aos Miller de que o glúten recebido estava muito úmido, de acordo com o indiciamento.
Os Miller também iludiram os fabricantes de rações ao afirmar que trabalhavam diretamente com a Xuzhou Aniying, ocultando o envolvimento da Suzhou Textiles.
O casal Miller nega veementemente que tenha cometido fraude intencional, ou que estivesse ciente de qualquer delito. Uma declaração da ChemNutra afirma que eles "não sabiam da presença de qualquer substância capaz de causar doença e morte aos animais".
Os executivos chineses indiciados no caso não foram localizados para comentar. William Gu, gerente da Suzhou Textiles, afirmou que o proprietário da empresa, Chen Zhen Hao, um dos acusados no caso, estava de férias. Mas ele afirmou que a situação já havia sido resolvida, e que a empresa não exporta mais ingredientes para alimentos aos Estados Unidos.
Tradução: Paulo Migliacci ME
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