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Terça, 8 de janeiro de 2008, 12h36

Fonte: Redação Terra

Empresas

Empresa gaúcha produz sapato feito com soja e milho

Guilherme Arruda
Da Gazeta Mercantil

A Formax Quimiplan - Componentes para Calçados, de São Leopoldo (RS), está colocando no mercado neste mês a primeira aplicação prática do poliuretano termoplástico (TPU) para o setor desenvolvido a partir de fontes vegetais. A base orgânica do Thermogreen é soja, milho, mamona e girassol, entre outras alternativas, em substituição ao petróleo usado até agora para a produção de contrafortes e couraças (peças internas que estruturam os sapatos).

A inovação é resultado da parceria com um fornecedor europeu, cujo nome é mantido em sigilo, e de investimentos de R$ 4 milhões em tecnologia e aquisição de equipamentos. Os componentes de fontes renováveis chegam ao mercado com preço similar ao dos petroquímicos - na faixa de R$ 0,70. Os ganhos para os calçadistas estão no avanço na questão da sustentabilidade: o Thermogreen é integralmente reciclado.

A produção mundial de calçados em 2007, conforme previsão do diretor da Formax, Flávio Faustini, chegou a 16,3 bilhões de pares, sendo que cerca de 700 milhões foram produzidos no Brasil. Faustini destaca que o Thermogreen vai agregar valor e ajudar a desvincular o calçado dos custos crescentes dos derivados de petróleo. Pela mão dos fabricantes de calçados, a novidade chegará ao consumidor final com a coleção outono-inverno 2008.

"O Thermogreen é comparável ao biodiesel adotado pela frota automotiva", disse o diretor da Formax, lembrando que a tecnologia pode ser direcionada para outros setores, como o próprio automotivo e o moveleiro. O empresário conheceu a novidade em outubro passado, em uma feira na Alemanha. A venda média mensal para a indústria calçadista é de 600 mil metros quadrados.

Flávio Faustini faz questão de ressaltar que há dez anos desenvolve trabalho de reciclar resíduos de seus próprios produtos que chega às indústrias na forma de lâminas: todas as aparas resultantes do corte e até o que resta das operações de desbaste são recuperadas. Tudo é reaproveitado como novo composto de matéria-prima. "Não ficamos somente no discurso", afirma o empresário, explicando que o conceito de sustentabilidade está fortemente incorporado à cultura da Formax.

O custo de processamento é semelhante, tanto com a matéria-prima de origem petroquímica como a renovável (vegetal). "Talvez ocorra alguma redução com aumento do volume de produção", destacou. A Formax tem em carteira cerca de 2,5 mil indústrias calçadistas. De acordo com o executivo, o processo de migração deve durar doze meses.

Tendência
O consultor da área de tecnologia da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçado e Artefatos (Assintecal), Luis José Coelho, afirma que o uso de materiais identificados como fontes renováveis é uma tendência que cresce no setor calçadista. Especificamente sobre o produto da Formax, Coelho diz que a iniciativa é bem vinda. Atualmente, a entidade trabalha no projeto "calçado verde" ou Ecoshoe, que consiste num conjunto de pesquisas baseadas em fontes renováveis, que estão em fase de desenvolvimento com apoio da Finep.

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