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Segunda, 3 de dezembro de 2007, 7h20

Fonte: O Dia

Tributação

IBPT: taxistas são trabalhadores que mais pagam CPMF

Atualizada às 9h17

Ao contrário do que disse recentemente o presidente Luís Inácio Lula da Silva, a CPMF não incide apenas nos rendimentos dos mais ricos. Estudo recente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que os taxistas, ao lado dos caminhoneiros, são os que mais contribuem para o imposto. Por ano, esses trabalhadores gastam, em média, R$ 241 com CPMF. É preciso trabalhar nove dias do ano somente para cobrir a despesa.

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O estudo mostra que a tributação também incide indiretamente em insumos e equipamentos. Por isso, o carro, por ser o instrumento de trabalho de taxistas, é a maior fonte de gastos. "Gastamos com tudo no táxi, desde o pneu até a lâmpada", afirma o diretor do Sindicato dos Taxistas Autônomos do Rio de Janeiro, José de Castro.

A alta quilometragem colabora para o aparecimento freqüente de problemas mecânicos. "A manutenção precisa ser constante, mas é muito cara. Os preços das peças automotivas aumentam toda semana", afirma José.

Outros aumentos
A mão-de-obra também não é barata. Para consertar um sistema de ar-condicionado, por exemplo, gasta-se em torno de R$ 1 mil. Tantos custos fizeram os taxistas prepararem planilha pedindo aumento de 25% por km rodado ao governo municipal do Rio. O documento foi entregue à secretaria de transportes em novembro do ano passado, mas até hoje não houve resposta.

"Não queríamos que o reajuste fosse calculado em cima da bandeirada, para não espantar os passageiros. Mas nem assim conseguimos atingir o objetivo", diz José de Castro. Ele explica que o aumento não cobriria a manutenção, mas pelo menos iria amenizar os gastos da categoria.

Quanto à permanência da cobrança da CPMF, José é direto: "o que o presidente Lula quer é recolher mais um imposto. Não importa se o cidadão brasileiro não tem retorno desse dinheiro. Não há melhora na saúde que justifique o pagamento da CPMF", reclama. Para o diretor do sindicato, o governo federal deveria justificar a manutenção do imposto para a sociedade brasileira.

Crescimento da pirataria
O taxista Carlos Alberto da Silva, 60 anos, não considera a cobrança da CPMF o maior problema do setor. "Não me incomodo em pagar, desde que o dinheiro seja direcionado à saúde, o que não ocorre", reclama. Ele gasta, em média, R$ 300 por mês com a manutenção do táxi. Carlos destaca que a pirataria é o que o preocupa.

O crescimento desenfreado da atividade é mais uma dificuldade enfrentada pelos taxistas regulamentados. "Os irregulares têm bem menos custos. Fazemos quatro vistorias por ano e temos vários outros gastos que eles não têm", diz José de Castro, diretor do sindicato da categoria. A Barra da Tijuca, segundo José, é o paraíso dos táxis descaracterizados.

"Estamos sendo prejudicados por todos os lados. Estão tirando nossos passageiros e não há fiscalização", reclama. Os trabalhadores pedem maior atuação dos órgãos responsáveis pela repressão à pirataria, o que inclui diversos órgãos, como Detro e Polícia Militar.

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