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 Lula diz que taxa dos EUA sobre etanol não tem sentido

05 de Março de 2007 • 08h55 •  atualizado 11h06

Com Reuters

Atualizada às 16h06

Às vésperas da visita do presidente norte-americano, George W. Bush, ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a tarifa de importação dos EUA sobre o etanol "não tem sentido" e que este será um dos temas a serem tratados no encontro presidencial.

"Se é para ter livre comércio, vamos ter livre comércio para que a gente tenha oportunidade de vender e de comprar. Não tem sentido a alta taxa que os Estados Unidos impõem ao álcool

brasileiro", disse Lula nesta segunda-feira, durante o programa de rádio "Café com o Presidente".

Na semana passada, o setor produtor de etanol pediu em audiência a Lula que defendesse o fim da tarifa no encontro com o colega norte-americano. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia antecipado, em meados da semana passada, essa intenção do governo.

Já o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, disse que o governo aproveitaria o interesse dos EUA para negociar uma cota sem tributos.

O produto brasileiro sofre a incidência de uma taxa de US$ 0,54 por galão ao entrar nos EUA, o que torna a venda normalmente inviável, segundo os produtores nacionais.

Thomas Shannon, o mais antigo diplomata dos Estados Unidos para a América Latina, disse na sexta-feira que o corte de tarifas é assunto do Congresso norte-americano e não pode ser tratado agora. Ainda assim, Lula espera conversar com Bush sobre o tema.

O governo Bush disse na segunda-feira que não planeja cortar os impostos de importação sobre o etanol.

"A tarifa não está sob negociação e nós não temos intenção de propor alterações à tarifa", afirmou o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, a repórteres.

Apesar disso, os EUA figuraram como o maior mercado do etanol brasileiro em 2006, quando a alta do petróleo e a escassez do combustível produzido nos EUA provocaram uma "janela de oportunidade" ao produto brasileiro.

O encontro entre Bush e Lula acontecerá na sexta-feira, em São Paulo.

Lula indicou ainda no programa de rádio que os biocombustíveis podem ser uma maneira de gerar emprego e ajudar no desenvolvimento de países pobres, além de contribuir para a redução na emissão de carbono.

"Eu penso que os Estados Unidos precisam conhecer a fundo a tecnologia brasileira na produção de etanol. Acho que eles têm de conhecer a fundo os programas de biodiesel que nós estamos

introduzindo no Brasil. Todo mundo está acompanhando com muita preocupação o aquecimento do planeta", afirmou ele.

O presidente afirmou que também quer conversar com Bush sobre a Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), suspensa no ano passado devido a divergências quanto a questões agrícolas e que foi recentemente retomada. Segundo Lula, um acordo está próximo.

"O presidente dos Estados Unidos sempre tem um peso importante nessa coisa, porque se os Estados Unidos forem favoráveis a um acordo, facilita esse acordo. Bem, essa é uma conversa que eu pretendo ter a fundo com o presidente Bush", disse.

Lula ainda descartou que a vinda de Bush tenha como objetivo "neutralizar" a influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, na região.

"Eu acho que não há espaço para a gente discutir problemas de outros países, a não ser discutir os nossos próprios problemas. Se nós conseguirmos avançar nos nossos problemas e encontrarmos soluções para o acordo da OMC e para o biocombustível, nós já estaremos fazendo um bem à humanidade extraordinário."

Agência Brasil
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