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21 de setembro de 2012 • 06h52

Motéis passam por reformulação para hospedar na Copa

Como o número de leitos de hotéis no País ainda não é suficiente para atender à expectativa de demanda que virá com a Copa do Mundo, empresários do setor têm apostado em modelos alternativos. Um deles é converter quartos de motéis para atender não somente casais, mas também turistas
Foto: Shutterstock
 

O setor hoteleiro será um dos mais impactados pela Copa do Mundo de 2014. Em 2011, o Brasil recebeu 5,4 milhões de turistas, de acordo com o Ministério do Turismo. Somente no período do torneio - que vai durar um mês - a estimativa é que desembarquem no País 600 mil turistas estrangeiros. Além disso, 1,1 milhão de turistas brasileiros viajarão pelo País ao longo dos jogos, que serão disputados em 12 cidades. E, como por enquanto não há leitos em hotéis suficientes para todos os turistas, a saída encontrada por alguns empresários tem sido apostar em modelos alternativos de hospedagem.



Atualmente, existem cerca de 300 motéis na cidade de São Paulo, de acordo com a Associação Paulista de Motéis (Apam). "Foi criada recentemente a Associação Brasileira de Motéis, que conta com a participação de 13 estados. O principal objetivo é aproveitar o gancho da Copa e das Olimpíadas para mostrar que o motel pode ser uma opção de hospedagem para o turista", explica Antonio Carlos Morilha, diretor administrativo da Apam.



Para tanto, algumas alterações tem de ser feitas, especialmente na decoração. Antonio diz que a cama redonda e as cores berrantes, por exemplo, são itens em extinção, mesmo em motéis que não estão se adaptando para receber hóspedes. "Vai ser preciso oferecer, entre outras coisas, cabideiro, café da manhã e possibilidade de reserva online", aponta Antonio.



Segundo ele, é interessante para os estabelecimentos reformar apenas parte do local, já que é importante manter a clientela atual de casais. "O motel não vai perder o fetichismo, mas precisa se adaptar para crescer", diz Antonio



De acordo com dados da Apam, apenas 10% da rede moteleira de São Paulo segue o modelo de hospedagem parecido com o de hotéis. Hoje, esses leitos são ocupados por viajantes que vêm até a cidade a trabalho, na maior parte dos casos.



Rio de Janeiro

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade do Rio de Janeiro possui 84 motéis qualificados. Cerca 20% deles estão mudando a decoração, a propostas e os serviços para se tornar hotéis.



Segundo dados do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaures do Rio de Janeiro (Sindrio), as principais mudanças são mesmo no ambiente do quarto, com decoração mais sóbria e a instalação de uma mesa de trabalho. O ideal, se possível, é a criação de alas distintas para os dois públicos. "Temos estabelecimentos que já estão na fase final de reformulação, outros que vão começar agora e os que vão deixar para fazer mais perto da Copa", aponta Antonio Cerqueira, vice-presidente da Sindrio.



Antonio conta que o movimento de reformulação na cidade vem acontecendo há pelo menos quatro anos, por conta dos eventos corporativos sediados no Rio. "O executivo que vem para cá já preferia, em alguns casos, ficar nos motéis. Isso porque ele tem a opção de pagar exatamente pelo período em que fica no quarto, e não pela diária inteira", diz.



Outro motivo que impulsionou a reformulação dos motéis foi a localização dos hotéis, que ficam, majoritariamente, na orla do Rio. "Nem sempre os eventos são perto da praia. Então, para o executivo, compensa ficar em um motel na Zona Oeste ou na Barra da Tijuca, por exemplo", diz.



Para o vice-presidente do Sindrio, os motéis de "beira de estrada" não deverão passar por reformulações para atender a hóspedes corporativos ou turistas. "Eles já atendem a um nicho determinado de clientes e devem continuar assim", diz

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