Economia

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26 de outubro de 2012 • 07h02

Moradores comemoram valorização de imóveis nos últimos anos

Quem comprou um apartamento nos últimos quatro anos viu o valor de venda dobrar
Foto: stock.xchng / Divulgação

Comprar barato e vender mais caro se tornou uma realidade para alguns paulistanos que investiram em imóveis nos últimos anos. A valorização das unidades nesse período transformou muitas casas e apartamentos em verdadeiros bilhetes premiados nas mãos dos proprietários.



É o caso da assistente administrativa Carolina Andrade, 27 anos, que em 2010 comprou um apartamento de 65 m², no Parque Novo Mundo (Zona Norte), por R$ 190 mil.



"Conversando com um corretor que fica no prédio tive a informação que o apartamento vale hoje R$ 350 mil", comemora Andrade, que mesmo com a valorização diz não ter interesse em vender o imóvel.



Já para o analista de tecnologia da informação Fernando Trevelin, 33, tudo convergiu para que o apartamento de R$ 147 mil no bairro do Ipiranga (Zona Sul), a 500 metros do Parque da Independência, passasse a valer R$ 450 mil em quatro anos.



"A infraestrutura da região ajudou a valorizar, mas com certeza o fato de a prefeitura não permitir mais a construção de prédios no entorno do parque contribuiu ainda mais. O meu foi um dos últimos a ser construído", diz Trevelin, que afirma já ter sido procurado por um corretor interessado em comprar para revender, mas não aceitou a proposta.



Mesmo áreas do centro expandido com infraestrutura deficiente estão se valorizando pela proximidade com a área central e pela facilidade de acesso a linhas de metrô e vias expressas. Foi o que aconteceu com o apartamento da analista de trânsito Celeste Aurora dos Santos, 43. O imóvel, que custou R$ 80 mil, fica perto da estação Bresser do Metrô, em uma parte bastante degradada do bairro da Mooca (Zona Leste), mas mesmo assim dobrou de preço em quatro anos.



"A região ainda é abandonada em relação à infraestrutura e cercada por fábricas, mas mesmo assim já consigo vender meu apartamento por mais que o dobro. Foi um investimento muito rentável", diz Santos.



Sorte não, conhecimento

Para o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, é preciso cuidado na hora de investir em imóveis, já que para realmente conseguir o retorno esperado com o investimento é necessário ter um conhecimento amplo de mercado.



"As pessoas que hoje têm seus imóveis valorizados não fizeram um investimento pensando no retorno, mas sim em ter um lugar próprio para morar. Comprar barato para vender caro é coisa de profissional, que enxerga o mercado de dentro para fora", alerta Viana Neto.



Ele salienta que o cenário do mercado imobiliário permite afirmar que nenhum imóvel comprado agora sofrerá desvalorização, já que o aumento dos preços vem como um efeito em cadeia entre os bairros.



"Hoje, os bairros periféricos oferecem boas oportunidades de valorização, já que estão recebendo investimentos viários e de infraestrutura que aumentam os preços dos imóveis. Se o bairro da periferia se valoriza, acontece o mesmo com os demais, independente de terem recebido melhorias ou não", diz Neto.



Quem teve a sorte de comprar um imóvel que se valorizou muito nos últimos anos tem que tomar cuidado na hora de se desfazer dele.



"Se a pessoa vender o imóvel valorizado provavelmente não conseguirá comprar outro semelhante com o dinheiro da venda. Todos os preços sobem juntos, fazendo com que a valorização fique apenas nos números e não na prática", finaliza Neto.



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