Economia

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12 de abril de 2012 • 07h40 • atualizado em 16 de Abril de 2012 às 20h08

Monte uma empresa para lucrar no avanço do mercado de luxo

Montar uma empresa que organiza festas personalizadas para milionários é opção relativamente acessível para quem planeja atuar junto ao setor de luxo
Foto: Shutterstock / Especial para Terra
 

Com um crescimento de 29% em 2010 e estimativa de haver fechado 2011 em 33%, o mercado de luxo brasileiro não para de crescer. Dados da consultoria GFK estimam que, no ano passado, o segmento alcançaria a marca dos R$ 20 bilhões de faturamento. Uma reportagem da revista

Forbes

publicada no final de 2011 dá uma ideia do tamanho deste nicho. Segundo o artigo, desde 2007 são adicionados 19 nomes à lista de milionários brasileiros, que no final de 2011 já totalizava 137 mil endinheirados - além de nada menos de 30 bilionários. Como onde existe dinheiro sobra luxo e brilho à volta, este mercado atrai cada vez mais empreendedores de todos os tamanhos. Ao contrário do que muitos imaginam, não é precisa necessariamente desembolsar fortunas para ter direito de atuar na faixa dos mais ricos.



Apesar dos números apresentados, Roberto Miranda, reitor de uma escola de pós-graduação de educação corporativa que recebe seu nome, avalia que o Brasil ainda é o "lanterninha" entre os Brics. Do grupo composto pelas maiores nações emergentes do mundo, segundo ele, "o Brasil perde até para a Índia" no quesito consumo de luxo. "Na Itália, em qualquer cidade pequena você pode alugar um Rolls Royce ou uma Ferrari para um evento", compara.



Para ele, esses dados mostram quanto o mercado Brasileiro ainda tem para crescer. A instituição de Miranda oferece cursos com duração de 18 meses ao custo fechado de R$ 50 mil - ou R$ 1,5 mil mensais - para formar profissionais voltados ao mercado hoteleiro e de serviços de luxo.



Segundo o empresário, a cidade de São Paulo , o interior paulista e o Centro-Oeste do País - puxado pelo agronegócio e pelo dinheiro advindo do funcionalismo bem remunerado de Brasília - se destacam entre as regiões em que o mercado de luxo mais tem crescido.



Ele explica que um dos fatores desse crescimento foi o ingresso de mais de 39 milhões de pessoas na classe C desde 2003. Esse novo mercado possibilitou um enriquecimento ainda maior da classe A, que ganhou muito com a fome de consumo da classe média emergente. Além disso, a nova classe média está em posição de participar do chamado "consumo aspiracional". Isso significa que embora não esteja em posição de comprar bens de luxo sem apertar o orçamento, ela abre algumas exceções quando é seduzida. "Pagando parcelado, tem gente hoje que conversa no ponto de ônibus usando celulares que custam R$ 2 mil", diz.



Setor de serviços

Para o professor, focando no setor de serviços é possível para o empreendedor montar um negócio com um aporte de R$ 60 mil a R$ 600 mil. Ele explica que como esse setor é voltado antes para a mão de obra especializada do que para bens de alto padrão, os custos são mais baixos.



Entre as atividades que destaca, está a manutenção de bens de luxo - como relógios e canetas -, a organização de festas, montagem de equipamentos de cenografia para eventos e também a administração de hotéis

boutique

. "Construir um hotel de luxo é caro demais, mas um hotel

boutique

pode ser levantado com algo como R$ 2,5 milhões de investimento", calcula.



Ele admite, no entanto, que a maioria das atividades do setor exige investimento elevado, mas diz que o retorno alto e a segurança do mercado compensam o fato. "É preciso ter mais coragem. Você vai comprar um produto muito mais caro, mas o retorno é alto e remunera os custos", afirma. Ele avalia também que, pelo fato de o investimento assustar a maior parte dos investidores, o mercado de luxo é relativamente protegido e estável para aqueles que se estabelecem.



Personal Stylist

Uma forma de atuar junto a esse mercado é prestar serviços de

personal stilist

, setor no qual a empresária Titta Aguiar investe. Ela presta serviços personalizados, nos quais auxilia clientes a montar o guarda-roupa tanto para situações casuais como profissionais. Quanto ela cobra por isso? Nada menos de R$ 3 mil por dia de trabalho - cada atendimento dura cerca de 8 horas. Assistência nas sessões de compra custam cerca de R$ 350 por hora. "O trabalho é trazer à tona a personalidade do cliente", diz ela.



Titta também administra um site voltado para imagem pessoal, além de já ter publicado dois livros sobre o assunto. Ela destaca, ainda, sua atuação no treinamento de funcionários de serviços de luxo. "Todo mundo acha que o

personal stylist

só trabalha com clientes individuais, mas prestamos também serviços a empresas", conta. Titta tem entre seus contratantes empresas como a Fotoptica, a Bosch, a Pernambucanas e a Unilever. Nesses locais, ela ministra palestras que custam em média R$ 3 mil, sendo que cada empresa geralmente fecha um pacote de 20. Palestras individuais custam mais caro: R$ 6 mil.



Ela defende que o

personal stylist

precisa, antes de tudo, investir em uma boa formação na área. Ela avalia que os cursos tradicionais da área estão no exterior, mas que já se encontram bons exemplos no Brasil. Entre as vantagens que destaca na área para quem pretende começar está o fato de que o

personal stylist

não precisa necessariamente ter um escritório, o que barateia o investimento inicial.



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