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15 de setembro de 2012 • 12h54

Milharesde espanhóis pedem referendo sobre medidas de ajuste

Espanhóis exigem que o governo convoque referendo sobre sua política
Foto: AP
 

Milhares de pessoas participaram neste sábado em Madri de uma concentração convocada pela Cúpula Social, integrada por 150 organizações sociais e os principais sindicatos espanhóis, para exigir do Governo conservador de Mariano Rajoy que convoque um referendo sobre sua política de cortes no orçamento.

Oito passeatas de milhares de pessoas procedentes de todo o país concluíram seu protesto na praça central de Colón, para onde foram funcionários públicos de diversos setores da sociedade.

Segundo os organizadores, foram fretados dois mil ônibus para que pessoas de toda a Espanha pudessem viajar para Madri para protestar contra a "política suicida" do governo espanhol, sob o lema "Vamos! Querem arruinar o país, é preciso impedir!".

O número de manifestantes oscilou entre 50 mil e 65 mil e o número de ônibus que entrou em Madri foi de 507, afirmou o governo da capital espanhola.

Nos discursos finais, os secretários-gerais dos dois principais sindicatos espanhóis, Cándido Méndez, da UGT, e Ignacio Fernández Toxo, do CCOO, pediram ao presidente do Governo espanhol que não perca hoje a oportunidade de escutar os cidadãos que rejeitam seus recortes e que avisaram que o governante tem a "chave" para evitar uma nova greve geral.

Desde sua chegada ao poder, após as eleições de novembro de 2011, o Executivo do Partido Popular (PP) empreendeu uma série de reformas, entre elas a trabalhista, assim como duros cortes para reduzir o déficit público.

Recentemente, foi aprovada a subida do IVA para diversos produtos e serviços, a suspensão do pagamento de Natal para empregados públicos e a redução do seguro-desemprego. Atualmente, a taxa de desemprego na Espanha é superior a 24% da população ativa, e de mais de 50% entre os jovens.

Na declaração lida pela Cúpula Social também se pede ao Governo espanhol que submeta a referendo o "resgate" da economia, que segundo os sindicatos, está sendo negociando entre o Executivo e Bruxelas.

O ministro espanhol de Economia, Luis de Guindos, expressou seu respeito pela manifestação e disse que é consciente dos sacrifícios que estão sendo pedidos para a sociedade, mas advertiu que eles são essenciais para a recuperação do país.

As passeatas e a concentração ocorreram sem incidentes de relevância e em um ambiente festivo, apesar de quatro pessoas ligadas ao grupo 15M terem sido detidas ao negarem se identificar.

Ao fim do protesto, um grupo tentou ir para a sede do Partido Popular, mas foi impedido pela polícia.

A concentração contou com o apoio do principal partido da oposição, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), e da formação Esquerda Unida, além de várias personalidades culturais.

EFE