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Grupo Maggi vê rendimento da soja abaixo de safra anterior

3 mar 2010
16h47

Se na safra passada o Grupo André Maggi obteve em suas fazendas produtividades recordes, na temporada 2009/10 está tendo mais trabalho com as chuvas excessivas que afetam algumas áreas de Mato Grosso, onde estão espalhadas as fazendas da companhia, disse o presidente Pedro Jacyr Bongiolo.

Segundo ele, as lavouras estão apontando até o momento para produtividade de "54-55 sacas" por hectare, apenas ligeiramente abaixo da média de 55,21 sacas por hectare de 08/09 obtida pela divisão agro do grupo, que também conta com um segmento de trading e indústria (Amaggi).

"Está tendo algum problema de clima, chovendo um pouco mais que o normal. Sempre tem algo que precisamos administrar, mas neste ano está mais (complicado)", afirmou Bongiolo, em entrevista na sede da empresa em Rondonópolis, que está em processo de mudança para Cuiabá, capital do Estado.

"No ano passado, o clima foi como um relógio, e não se pode comparar a safra atual com a melhor", disse.

Confirmando-se a previsão, a produção de soja da empresa ficaria praticamente estável ante a safra anterior, em 460 mil t.

Isso porque a área plantada do grupo da família do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, um dos maiores produtores do Estado, manteve-se estável em cerca de 140 mil hectares em 2009/10.

Há oito anos no cargo de executivo principal do grupo, e com 32 anos de casa, Bongiolo apontou mais problemas na região oeste, nas áreas de Sapezal e Campos de Júlio, onde houve muita chuva na colheita e pouca luminosidade durante a safra, pelo tempo encoberto, o que afetou o desenvolvimento vegetativo da planta.

Quando o grão está pronto para colher e fica muitos dias debaixo de chuva, ele perde peso e corre o risco de estragar, de ficar "ardido," como dizem os produtores.

Essa preocupação vem sendo levantada pelos analistas do Rally da Safra, expedição técnica que percorre o Estado. Até o momento, nesta semana, chuvas ocorreram diariamente.

Entretanto, Bongiolo observou que, mesmo que as chuvas tenham interferência na produção, o rendimento agrícola nas fazendas do grupo deve ficar acima do da média do Estado, prevista em torno de 51 sacas por hectare, ante 52 sacas em 2008/09.

Além de Sapezal, a empresa produz em Rondonópolis, Itiquira (sudeste do Estado), Campo Novo do Parecis (oeste) e Querência (nordeste).

"O Mato Grosso tem grandes dimensões. E, se numa região não produz tanto, outras compensam", declarou ele, salientando que em Querência a empresa teve a sua melhor produtividade média, de 60 sacas por hectare.

Nos municípios da BR-163 (Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop), onde a Maggi não tem propriedades, as lavouras sofreram menos, acrescentou Bongiolo, lembrando que os produtores dessas áreas colheram antes das chuvas que afetaram a produção no oeste.

A colheita no Estado já foi feita em mais da metade das plantações, segundo dados do setor produtivo.

Foco na trading
O grupo Maggi - que além dos 140 mil hectares de soja, planta outros 65 mil hectares divididos entre milho (a maior parte) e algodão - tem notado um avanço de empresas nacionais e estrangeiras no mercado de terras de Mato Grosso.

Mas, ao ser questionado, Bongiolo disse que a empresa está bem posicionada diante de investimentos de fundos que estão buscando retorno não apenas com a produção, mas também com a valorização da terra, em meio a um cenário com restrições ambientais para abertura de novas áreas agrícolas.

"O grupo já se antecipou lá atrás e fez investimentos nesse sentido. Os investimentos recentes estão focados mais na trading e na indústria", afirmou o presidente, admitindo, entretanto, que a empresa não deixará escapar eventuais bons negócios.

"Na questão de produção, estamos estabilizados há um bom tempo, mas se tiver oportunidades...," declarou, comentando que ainda existem boas ofertas para quem se coloca como comprador.

A situação do Maggi contrasta com a do grupo Bom Futuro, da família dos primos do governador, que tem avançado na produção por meio de arrendamentos e parcerias, plantando nesta safra 300 mil hectares de soja e algodão .

Com foco maior na trading, o grupo prevê aumentar a originação em 2009/10. E a expectativa, disse Bongiolo, é de que a Amaggi movimente 4,5 milhões de t de soja, contra 3,8 milhões em 2008/09.

A empresa está buscando ganhar espaço na originação no Paraná e Rio Grande do Sul, além de ter feito no ano passado uma parceria com a Louis Dreyfus Commodities, para atuação conjunta no Nordeste.

A expectativa da companhia, que faturou US$ 2,3 bilhões no ano passado (a maior parte com exportações), é de um bom resultado em 2010, uma vez que a safra de Mato Grosso, cuja área plantada cresceu mais de 7%, será maior.

E haverá, portanto, mais produto para ser negociado, observou o presidente da companhia, que cresceu na originação de soja, nos últimos dez anos, 25% ao ano, em média.

Com relação à qualidade da soja recebida nas três indústrias do grupo, Bongiolo também disse não ter constatado problemas até o momento, apesar da temporada chuvosa.

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Fonte: Invertia Invertia
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