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Especialistas criticam falta de união na moda brasileira

26 jun 2012 - 07h55
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Um dos responsáveis pelo bom momento da moda brasileira nos últimos anos, Paulo Borges, criador da São Paulo Fashion Week (SPFW), acha que a situação do setor não é tão glamourosa quanto suas passarelas. Em palestra feita a cerca de 80 empresários no dia 14 de junho, Paulo disse que a desunião e o comportamento da indústria têm impedido um crescimento maior. "A falta de diálogo entre indústrias têxteis e de calçados, confecções, estilistas e comerciantes prejudica o crescimento do mercado brasileiro da moda", afirmou.

O organizador da São Paulo Fashion Week, Paulo Borges, levantou uma antiga discussão ao afirmar que há uma desunião generalizada na cadeia produtiva da moda brasileira
O organizador da São Paulo Fashion Week, Paulo Borges, levantou uma antiga discussão ao afirmar que há uma desunião generalizada na cadeia produtiva da moda brasileira
Foto: Dreamstime / Especial para Terra



De acordo com sua visão, por se distanciar da moda brasileira, as empresas responsáveis pelo produto final acabam inovando pouco e perdendo competitividade nos mercados internos e externos. Para concorrer com os produtos estrangeiros, o setor pressionaria então o governo por medidas protecionistas, que retiram o acesso a matérias-primas e prejudicam o mercado como um todo.



Apesar de o Brasil ter a quarta maior indústria têxtil do mundo e a maior cadeia produtiva integrada de têxteis do ocidente - ou seja, desde a produção da matéria-prima até o produto final -, Paulo afirma que o País está vulnerável frente à concorrência internacional norteadora de tendências.



O consultor e estilista Walter Rodrigues concorda. Para ele, por não valorizarem a produção da moda brasileira, as empresas perdem a oportunidade de se organizar e competir internacionalmente.



Ele afirma que as indústrias de calçados e vestuário brasileiras ainda copiam muito as empresas estrangeiras. "O Brasil produz poucos produtos autorais. As empresas têm medo de se reunir umas com as outras, porque têm medo que descubram de quem copiam", analisa.



ICMS

O presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Roberto Chaddad, destaca outro ponto que dificulta o diálogo entre atores do setor. Segundo ele, por o Brasil ter alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) diferentes para cada Estado, as associações e sindicatos da área atuam de forma pulverizada frente aos governos estaduais e não se organizam para lidar com o governo federal.



"Não dá para fazer um projeto nacional de moda se as roupas do Nordeste não têm ICMS, ao mesmo tempo em que no Sul se paga muito. Enquanto não houver união dos impostos, não tem união do setor frente a governos", diz. Devido à competição fratricida entre os estados, Roberto afirma que há hoje "várias Chinas dentro do Brasil", apostando em incentivos fiscais e mão de obra mais barata para ganhar de outros estados.



Hoje, cada Estado tem em geral três associações do setor de vestuário: uma voltada à roupa masculina, outra à feminina e uma terceira à infantil, totalizando 67 entidades estaduais. Além delas, há também, no âmbito nacional, Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e a Abravest, além da Associação Brasileira de Estilistas (Abest) e de 22 escolas de moda.



Roberto afirma também que, enquanto associações ligadas à produção da moda, como a Abravest, lutam pela queda de barreiras alfandegárias - principalmente de insumos -, a indústria têxtil, representada pela Abit, pleiteia junto ao governo o levantamento de barreiras.



Indo contra a tendência desagregadora de que Roberto fala, a Abravest vem tocando um projeto de padronização das medidas de roupas no Brasil. "Isso muda tudo, porque agora o número 42 de cada fábrica será o mesmo", afirma.



Sistema Moda Brasil

Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit, acredita que, apesar de haver espaço para avanços, o Brasil já possui integração dentro da indústria da moda. Ele cita o Sistema Moda Brasil, lançado pela Secretaria do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.



O objetivo do sistema é exatamente promover a articulação entre as cadeias produtivas têxtil e de confecções; gemas, joias e afins; e couro, calçados e artefatos. "Entramos numa reta final de montagem de um plano estratégico. Até o momento, tem sido um fórum de debates das ações a serem tomadas", diz Fernando.

Fonte: Cross Content
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