Economia

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29 de outubro de 2012 • 15h30

Empresas de congressista mais rico do País estão em situação "precária"

Situação econômica das empresas do congressista mais rico do Brasil, deputado federal João Lyra (PSD/AL), é considerada
Foto: Divulgação
 

A situação econômica das empresas do congressista mais rico do Brasil - o deputado federal João Lyra (PSD/AL) - é considerada "precária", "de seríssimo risco" e "dramática" pela Justiça de Alagoas e pode ser irreversível, colocando um ponto final em um dos grupos empresariais mais tradicionais do Nordeste brasileiro. Os Lyra estão no ramo empresarial há 200 anos.

As conclusões estão no despacho do juiz Sóstenes Alex, publicado no Diário Oficial de Alagoas desta segunda-feira. O magistrado nomeou um interventor para decidir, em três meses, o quê deverá ser feito do Grupo JL.

O pedido de falência do grupo foi protocolado por quatro bancos europeus e o Banco do Nordeste. As dívidas somam R$ 1,2 bilhão. O juiz convocado Marcelo Tadeu acatou o pedido de falência, que acabou suspenso a pedido do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Sebastião Costa Filho.

Na decisão do juiz Sóstenes Alex - que há quatro anos é o responsável pela recuperação judicial do Grupo JL - mostra-se que o grupo não tem dinheiro para "pagar despesas elementares". E, nos últimos meses, as empresas do parlamentar federal sofrem processo de "descapitalização". Para pagar parte dos salários atrasados, Lyra teve de vender um imóvel.

"O patrimônio da Laginha (uma das cinco usinas de açúcar de álcool), maior garantia de pagamento aos credores, começa a ser corroído pelas dívidas não quitadas pela sua diretoria", diz Alex, em seu despacho.

O magistrado registra ainda que a direção da empresa faz gastos pessoais "de forma excessiva". Realiza ainda despesas "vultosas, injustificáveis", "a exemplo dos constantes gastos lançados à conta da Laginha em razão da utilização de aeronaves da empresa Lug Táxi Aéreo (outra empresa do grupo), que notória e habitualmente continuam servindo ao diretor presidente da recuperanda", diz.

"Fato é que, no momento atual, a situação da empresa é crítica, a recuperanda vem atrasando o pagamento dos salários de seus empregados, como confessado pela mesma, ocasionando frequentes greves e paralisações promovidas pelos trabalhadores, inclusive com bloqueios de rodovias estaduais e federais, como noticiado pelos veículos de comunicação no Estado", disse o magistrado, em seu despacho.

A ação de intervenção do juiz atinge as usinas de açúcar e álcool Laginha, Uruba, Triálcool (em Alagoas) e Vale do Paranaíba (Minas Gerais) e as empresas Adubos Jotaele, Lug Táxi Aéreo, Mapel e Sapel.

O interventor nomeado para a função é o administrador judicial da ação de recuperação judicial, Ademar de Amorim Fiel. Ele tem 90 dias para dar um diagnóstico do grupo ao magistrado. "A intervenção possibilita a recuperação do Grupo João Lyra", disse o jurista Richard Manso.

De acordo com ele, são as empresas que pagam os salários do interventor e do administrador judicial. "O valor não será pago integralmente à vista. Parte da remuneração, o equivalente a 40% desta, somente será paga no encerramento da recuperação judicial", explica.

O Grupo João Lyra não se pronunciou sobre o despacho do magistrado. Há duas semanas, uma das usinas de açúcar e álcool do Grupo, a Uruba, começou a moer a safra deste ano e a direção elaborou um cronograma para a moagem das outras empresas do ramo sucroalcooleiro.

Especial para o Terra