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Empresa nasce como hobby e atinge alcance internacional

1 nov 2012
07h09

Em 2000, quando o médico Cezar Philippi procurou o engenheiro eletrônico Samy Menasce, nenhum dos dois imaginava que a parceria iria resultar em uma empresa de tratamento de água contaminada por produtos químicos. Durante quatro anos, eles alugaram uma casa, contrataram técnicos e ficaram "brincando" de despoluir a água da piscina por meio do gás ozônio. Em 2004, o teste deu certo e nasceu a BrasilOzônio. "Decidimos partir para o negócio e deixar de lado o hobby no ano seguinte", conta Samy.

Sistemas de Geração e Transferência de Ozônio da BrasilOzônio em gases que provocam odor no ambiente
Sistemas de Geração e Transferência de Ozônio da BrasilOzônio em gases que provocam odor no ambiente
Foto: Divulgação



Para consolidar a empresa, os dois sabiam que precisavam de ajuda. Foi aí que Samy procurou o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) da Universidade de São Paulo (USP). O centro incentiva o empreendedorismo e a inovação, apoiando a criação de empresas inovadoras de base tecnológica. Após o falecimento de Cezar, em 2007, Samy deu continuidade ao projeto.



Apoio fundamental

Para Samy, o apoio do Cietec foi fundamental para o negócio. "O que mais me atraiu é que, estando dentro do Cietec, teríamos acesso aos profissionais da USP. Estrategicamente, tenho certeza que, sem esse apoio, não existiríamos hoje", reconhece.



Além da proximidade com os pesquisadores da USP, a credibilidade do centro foi, segundo ele, crucial para o pontapé inicial. "Entrar no mercado com um produto e tecnologia novos é complicado. Você precisa ter dinheiro ou credibilidade. Então, o fato de estar na USP e no Cietec foi decisivo para construir credibilidade", afirma.



O poder do ozônio

O ozônio é um gás que tem um grande poder germicida. "Ele tem capacidade de matar qualquer vírus, bactéria e protozoário no mundo", explica Samy. No início, a empresa vendia apenas equipamentos de geração de ozônio para despoluir poços artesianos e água de piscina. Com o tempo, percebeu que existiam muitas aplicações além dessas e que precisava desenvolver um sistema também para os outros tipos de serviço. "Procuramos as áreas de mercado que também tinham problemas, como a indústria de fertilizantes, alimentícia, química entre outras", relata o engenheiro.



Para o ozônio ter um efeito germicida potente, precisa estar em alta concentração. "Até anos atrás, isso só era possível a partir do oxigênio puro. Isso implicava em um equipamento muito caro e na instalação de geração de oxigênio para alimentar o equipamento, encarecendo o ozônio", conta o proprietário.



Para Samy, o grande diferencial da BrasilOzônio foi pensar numa solução para descomplicar esse processo. "A empresa decidiu gerar ozônio em alta concentração a partir do ar ambiente. Desse modo, reduziríamos o preço dos equipamentos de 30% a 40% e viabilizaríamos mais de 60 aplicações", conta. O projeto levou dois anos para se concretizar e, hoje, a empresa já está na quinta geração de equipamentos, que são desenvolvidos conforme a necessidade do cliente.



Sistema

O sistema da BrasilOzônio é ambientalmente correto porque a matéria-prima utilizada é o ar. "Captamos o ar, filtramos, secamos e separamos o oxigênio para gerar ozônio", esclarece Samy. O uso de energia do sistema da empresa também é, segundo ele, baixíssimo. "O consumo de energia de um módulo nosso é equivalente ao de três lâmpadas", exemplifica.



A empresa conta com um setor de desenvolvimento com 16 pessoas, oito delas pesquisadores. A equipe desenvolve cada peça e terceiriza a fabricação. Atualmente, conta com 180 fornecedores.



Quando uma fábrica necessita das soluções da BrasilOzônio, há duas formas de atendê-la. Se o problema é de solução conhecida pelos técnicos, eles vão até o local com a unidade móvel, criada há três anos. "A perua, com uma unidade de produção, pode ir até as empresas e comprovar a eficiência da solução na frente do cliente", conta o engenheiro.



Entretanto, algumas soluções são mais complexas e exigem o chamado projeto-piloto, que é a avaliação e a instalação dos equipamentos na própria indústria. O proprietário da BrasilOzônio garante que não há interferência na produção. "É um trabalho em conjunto. A empresa também tem que fazer adaptações para que possamos fazer o teste", pondera. Grandes empresas já procuraram as soluções da BrasilOzônio, como a Goodyear, Yara fertilizantes, Bunge alimentos, Seara, Unilever entre outras.



Expansão rápida

O negócio se expande com grande velocidade. Já está presente na Argentina e no Peru. Os planos de expansão incluem ainda Uruguai, Estados Unidos, Paraguai, Chile e Itália.



No Brasil, a empresa tem trabalhado também em projetos vinculados a órgãos públicos, como secretarias do Meio Ambiente. "Temos instalações nas piscinas dos animais, no Zoológico de São Paulo, no Parque Anhembi, quando há feiras, e acabamos de fechar um acordo com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Demae) de Porto Alegre", afirma o proprietário. Segundo ele, o faturamento vem aumentando ano a ano. "Nos últimos três anos, faturamos R$ 800 mil, R$ 1milhão e agora esperamos atingir R$ 2 milhões", revela.

Fonte: Cross Content

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