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Dólar sobe quase 2% e encosta em R$ 2,30, de olho no FED e fiscal

5 nov 2013
17h45
atualizado às 19h11
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O dólar saltou quase 2% nesta terça-feira, caminhando para R$ 2,30, com investidores preocupados com a piora no cenário fiscal brasileiro e cautelosos antes da divulgação de importantes dados econômicos nos Estados Unidos, que podem trazer sinais mais claros sobre os próximos passos da política monetária do país.

Com a escalada da moeda americana, já começa haver discussões nas mesas de câmbio de que o Banco Central (BC) brasileiro poderia aumentar a intensidade de suas intervenções nos mercados, de olho no impacto da valorização do dólar sobre os preços.

O dólar avançou 1,98% nesta sessão, a R$ 2,2893 na venda, após atingir US$ 2,2946 na máxima do dia. É a maior alta de fechamento para a divisa desde 21 de agosto, quando subiu 2,39%, um dia antes de o BC anunciar seu programa de intervenções diárias no mercado.

Segundo dados da BM&F, o volume de negócios ficou em aproximadamente US$ 1,5 bilhão.

"Os motivos da alta do dólar são as notícias sobre o déficit (primário) no país e a preocupação com a decisão do FED (sobre a redução dos estímulos)", resumiu o gerente de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

Os investidores estão temerosos com a situação fiscal brasileira depois da divulgação, na quinta-feira, que o setor público registrou o pior resultado primário para meses de setembro, praticamente enterrando a possibilidade de a meta ajustada, de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), ser atingida neste ano.

Com as contas públicas piores, pioram as avaliações de risco sobre a economia brasileira, algo que pode espantar os investidores estrangeiros e reduzir a entrada de moedas no país.

A disparada do dólar no mercado brasileiro ocorreu mesmo com a atuação diária do BC que, nesta manhã, realizou mais um leilão de swap cambial tradicional, com a venda de 8,1 mil contratos com vencimento em 1º de abril de 2014 e 1,9 mil contratos com vencimento 2 de junho de 2014. Os volumes financeiros equivalentes das operações foram de US$ 403 milhões e US$ 94,2 milhões, respectivamente.

Alguns especialistas já levantavam a hipótese de intervenções extras da autoridade monetária para conter o avanço da moeda norte-americana. De acordo com analistas da H.Commcor, as especulações no mercado de câmbio giravam em torno de uma possível rolagem antecipada dos swaps com vencimento no dia 2 de dezembro, que somam o equivalente a US$ 10,11 bilhões.

"O BC vai olhar para o mercado e, se a volatilidade piorar, ele pode atuar novamente", afirmou o operador de câmbio da Renascença, José Carlos Amado.

Para o superintendente de câmbio da Intercam, Jaime Ferreira, a tendência é que realmente o dólar continue a subir ante o real, uma vez que os fluxos de saída tendem a ganhar força no fim de ano, com empresas fechando balanços e protegendo seus passivos e multinacionais enviando remessas ao exterior.

Segundo ele, caso a moeda norte-americana supere muito o patamar de R$ 2,30 e se aproxime de R$ 2,40, o BC pode alterar sua estratégia de intervenções diárias, uma vez que a valorização do dólar tende a pressionar o nível de preços por meio do encarecimento de importados.

No mês passado, o BC deixou de rolar alguns dos contratos que venceram em 1º de novembro. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde o início do programa de intervenções diárias.

O BC anunciou no fim de agosto, quando o dólar flutuava perto de R$ 2,45, que passaria a atuar diariamente nos mercados de câmbio, realizando leilões de swap cambial tradicional - equivalentes a venda futura de dólares - em todos os pregões de segunda a quinta-feira e ofertando dólares com compromisso de recompra às sextas-feiras.

Operadores também ressaltavam que houve fluxo de saída de recursos neste pregão, o que também ajudou a elevar o dólar.

À espera do FED
Temores de que o Federal Reserve, banco central dos EUA, reduza seu programa de estímulos ainda este ano também ajudou a elevar a moeda americana, deixando os investidores ansiosos pelos próximos indicadores sobre a saúde da maior economia do mundo, sobretudo o relatório de emprego que será divulgado na sexta-feira.

"Neste momento o FED é o coringa do mercado", afirmou o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo. "O mercado está preocupado com os EUA, de olho se vai ocorrer a redução dos estímulos ou não, à espera da divulgação do relatório de emprego na sexta-feira", acrescentou.

Ainda no cenário externo, declarações do primeiro-ministro da China, Li Keqianq, alertando o governo contra afrouxar ainda mais a políticas monetária, intensificou o movimento de aversão ao risco nos mercados internacionais.

"Sem estímulos, a economia chinesa poderá crescer menos e isso aumenta a percepção ao risco", disse o estretegista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

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