Economia

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25 de fevereiro de 2013 • 15h22

Dólar fecha em alta, a R$ 1,97, por incertezas sobre eleição na Itália

ECONOMIA - Indicadores

 

O dólar encerrou fechou a segunda-feira em alta frente ao real, após registrar vai e vem durante o dia, pressionado por incertezas sobre os resultados das eleições na Itália. A moeda americana fechou com alta de 0,32% a R$ 1,9773 na venda. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 3,375 bilhões. Frente a uma cesta de moedas, no final da tarde, o dólar subia 0,15%, enquanto o euro caía 0,75% ante à divisa dos Estados Unidos.

Investidores passaram a comprar dólares após levantamentos preliminares sobre o pleito italiano indicarem a possibilidade de que um Parlamento dividido sirva de obstáculo para reformas econômicas e ameace a estabilidade na zona do euro, alimentando a aversão ao risco.

"O mercado está acompanhando a Europa por causa das eleições", disse o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel. "O mercado acha que o ideal era que o (atual primeiro-ministro italiano, Mario) Monti continuasse, mas parece que isso não vai acontecer".

As últimas projeções sobre as eleições italianas indicam que nenhum dos grupos que disputam o pleito deve conseguir uma maioria no Senado. As notícias impulsionaram a moeda americana, que chegou a atingir alta de 0,39% contra o real, a R$ 1,9785 na máxima do dia.

Na abertura dos negócios, no entanto, declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, chegaram a levar a moeda norte-americana a cair 0,35% ante ao real, a R$ 1,9640, na mínima do dia.

Após isso, o dólar começou a subir novamente, seguindo o mau humor nos mercados externos. Durante a tarde, no entanto, o dólar voltou a cair novamente, mas invertendo o movimento logo depois para fechar com alta.

Em entrevista ao Wall Street Journal no domingo, Tombini voltou a expressar preocupação com os preços, dizendo que a inflação tem apresentado mais resiliência do que o esperado. Mais tarde, em evento em Nova York, ele afirmou que a autoridade monetária vai reagir a volatilidade nos mercados de câmbio e que quer ancorar as expectativas de inflação.

As declarações alimentaram especulações de que o governo pode tolerar o dólar mais fraco para conter pressões inflacionárias. "O governo já usou, está usando e irá usar o dólar como instrumento para conter parte da inflação", disse um operador de uma corretora em São Paulo, que pediu para não ser identificado.

Embora Tombini tenha reiterado que o câmbio não é uma ferramenta de controle da inflação, o mercado entende que a equipe econômica não quer o dólar muito acima de R$ 1,95.

Analistas têm especulado que o governo estabeleceu uma banda informal de entre R$ 1,95 e R$ 2 para a moeda americana com o objetivo de reduzir o custo de produtos importados. "O BC está encontrando um patamar confortável", disse o operador de câmbio da Renascença José Carlos Amado. "O BC não quer muita volatilidade, mas se o mercado ficar ali em R$ 1,96, R$ 1,98, ele vai ficar satisfeito".

Reuters News