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23 de novembro de 2012 • 16h48

Dólar fecha com maior queda em 3 meses com atuação do BC

ECONOMIA - Política Monetária

 

O dólar fechou em queda nesta sexta-feira, registrando a maior baixa em quase três meses, por conta da intervenção do Banco Central (BC) que voltou a atuar no mercado quando a moeda americana ultrapassou a barreira de R$ 2,11 nesta sessão. O dólar caiu 0,79%, encerrando a R$ 2,0819 na venda, na maior baixa diária desde o dia 31 de agosto, quando a divisa americana perdeu 0,81% ante o real. Mesmo com o recuo, o dólar manteve-se no maior nível desde o dia 15 de maio de 2009, quando encerrou em R$ 2,109.

Durante a manhã, a moeda atingiu a máxima de R$ 2,1180, após declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o câmbio está "numa condição razoável", mas "não ainda totalmente satisfatória", em uma indicação de que o governo estaria disposto a deixar o real desvalorizar-se em relação ao dólar para dar competitividade à produção nacional.

Logo após o pico de alta, o BC anunciou leilão de swap cambial tradicional - equivalente a vendafutura da moeda americana-, levando o dólar a reverter a tendência e chegar a mínima de R$ 2,0815. Na visão de analistas e segundo uma fonte do governo, o objetivo da atuação foi evitar movimentos "artificiais".

"A alta do dólar estava atingindo velocidade e era bem especulativa, nesse caso o BC tinha que atuar. Não havia um motivo sequer para o dólar subir tudo isso. O BC colocou ordem no mercado", disse o operador de câmbio da B&T Corretora Marcos Trabbold.

A aparente queda de braço entre Mantega e o BC deixou os investidores se perguntando se as autoridades continuarão mantendo a banda informal de R$ 2 a R$ 2,10, na qual o dólar tem sido negociado desde o começo de julho. "Mais do que olhar para o teto da banda, o BC olhou para a especulação do mercado", acrescentou o operador, que acredita que ser difícil avaliar se há um novo teto para a banda informal.

Na véspera, o presidente do BC, Alexandre Tombini, já tinha afirmado que, se fosse preciso, o órgão poderia intervir no mercado de câmbio para dar liquidez, já que no final do ano é comum ter uma menor oferta de dólares. No entanto, declarações de outras autoridades do governo têm sugerido a disposição do governo de ter um real mais desvalorizado para impulsionar a vacilante indústria brasileira. Além da fala do Mantega nesta sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff também sugeriu no início da semana que o real não estava desvalorizado o suficiente.

Tais declarações, somadas a uma piora do quadro internacional, ajudaram a tirar o dólar de patamar próximo a R$ 2,02 e R$ 2,03 no qual foi negociado por vários meses para perto de R$ 2,10, alimentando especulações no mercado sobre se o BC atuaria para defender o que, até então, era amplamente visto como teto. Na última vez em que o dólar atingiu o nível de R$ 2,10 no intradia, em 28 de junho, a autoridade monetária interveio também por meio de swaps cambiais tradicionais, puxando o dólar para abaixo de R$ 2.

Nesta sessão, no entanto, o dólar já abriu acima de R$ 2,10, descolado da cena externa. No leilão de swap cambial tradicional, o BC vendeu 32.500 contratos da oferta de até 62.800 contratos, que vencem no próximo dia 3, quando expiram 62.800 contratos de swap reverso. "Hoje o BC fez o swap cambial quase na mesma hora em que o Mantega afirmava que o câmbio não está totalmente satisfatório. Não só o mercado está tumultuado como está o governo", destacou Alvaro Bandeira, diretor da Ativa Corretora.

Com a queda desta sessão, a divisa registrou estabilidade na semana. Já no acumulado do mês, o dólar mostra valorização de 2,54% frente ao real, evidenciando uma trajetória de alta consistente, que fez com que a cotação mudasse de patamar para acima de R$ 2,08.

"Acredito que o dólar pode ficar um pouco mais comportado agora e se manter na banda entre R$ 2 e R$ 2,10. Não vejo muitos motivos para que continue a subir, mas há muita incerteza", disse ainda Trabbold.

A sessão desta sexta-feira for marcada pelo baixo volume devido ao fim de semana prolongado nos Estados Unidos pelo feriado do Dia de Ação de Graças. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro nesta sexta-feira ficou em US$ 1,666 bilhão, abaixo da média dos últimos dias de US$ 2 bilhões.

Reuters News