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Crowdfunding desponta como alternativa de microfinanciamento

10 mai 2012
09h35
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Entre modelos alternativos de financiamento, o

Apesar de restrições legais, o crowdfunding vem crescendo no Brasil como alternativa para financiamento de micro e pequenos negócios
Apesar de restrições legais, o crowdfunding vem crescendo no Brasil como alternativa para financiamento de micro e pequenos negócios
Foto: Dreamstime / Especial para Terra

crowdfunding

se destaca como uma oportunidade que tem atraído cada vez mais interessados. No Brasil, sites como Catarse e Queremos financiam principalmente iniciativas culturais, como álbuns, curtas-metragens e shows. Mas, mesmo sem uma legislação que dê suporte à prática, o

crowdfunding

vem despontando no Brasil também como uma alternativa de financiamento para projetos de pequenas e médias empresas.



O sistema funciona basicamente da seguinte forma: a pessoa responsável pelo projeto envia uma requisição para a plataforma que organiza o crowdfunding explicando qual é a sua ideia e a quantia que se precisaria arrecadar para que ela fosse posta em prática. Quando aprovada, a descrição do projeto é colocada no ar - sites como o Catarse exigem também um vídeo de apresentação - e é estabelecido um prazo para se atingir a quantia necessária.

Incentivo para apostar na ideia
Pessoas interessadas podem colaborar com o valor que desejarem, geralmente recebendo algum incentivo, como a promessa de uma carta de agradecimento, nomes nos créditos do produto final ou algum brinde, que varia de acordo com a quantia investida. Quando o projeto recebe financiamento suficiente dentro do prazo, o dinheiro é repassado aos idealizadores. Caso contrário, retorna para os investidores.

"O crowdfunding para empresas já é regulamentado em países como Holanda, França, Alemanha e é visto como incentivador de empreendedorismo social em partes da África", conta Rafael Zatti, cofundador do portal Ideias. Ele destaca que, mesmo nos Estados Unidos, plataformas de crowdfunding para negócios, como o ProFounder, chegaram a ser fechadas pela falta de uma legislação adequada. Com a aprovação de uma lei específica, no final de abril, o portal já reabriu.

Legislação no País complica
No Brasil, o trabalho de sites de financiamento via crowdfunding é dificultado porque a legislação impede que os investidores sejam reembolsados com trocas de ações ou pagamentos do investimento inicial assim que a empresa passa a dar lucro. Dessa forma, a prática permanece ligada na maioria dos casos ao mecenato cultural.

Mesmo sem uma legislação que ofereça suporte integral para a prática no País, no entanto, as plataformas têm conseguido aplicar o sistema de financiamento para pequenos e microempreendedores. "A legislação brasileira é muito protecionista em prol dos bancos. Isso é fato. Projetos como o site Fairplace, que intermediava o financiamento de negócios no Brasil, tiveram que ser fechados em poucos meses", critica Lina Maria Useche, diretora executiva da Aliança Empreendedora - organização que atua em favor de empreendedores de baixa renda em todo o Brasil.

Diego Reeberg, um dos fundadores do portal Catarse, conta que algumas das iniciativas financiadas pelo site têm sido aplicadas em negócios lucrativos sem gerar atritos com a lei. Ele cita o caso de uma empresa que desenvolveu um suporte para laptops com o intuito de que esses esquentassem menos. Como não podiam receber dinheiro ou ações da empresa, os investidores receberam o produto final em casa, inclusive com nota fiscal. "Funcionou como uma operação de e-commerce", conta.

Diego cita ainda o exemplo de uma impressora 3D, a Metamáquina, cujo protótipo foi desenvolvido com aporte obtido junto ao Catarse. Já um videoblog de culinária de Porto Alegre comprou uma câmera com auxílio do site. "Eles não tinham intuito comercial, mas hoje recebem o apoio de empresas para fazerem temporadas sobre determinados tópicos".

Para se adaptar à realidade da legislação local, a Aliança Empreendedora criou, no final de 2010, o Portal Impulso. A entidade entra em contato com microempreendedores para que estes disponibilizem suas demandas no site. O financiamento é feito por meio de doações não reembolsáveis.

"Desde o governo Dilma Rousseff, houve uma grande multiplicação das linhas de crédito para microempresas. Mesmo assim, muitos empreendedores ficam de fora, por terem pouca experiência, ou por terem o nome sujo. Uma conta de telefone não paga por falta de informação cinco anos antes pode ser um problema para conseguir financiamento, por isso desenvolvemos o portal", explica Lina.

Ela cita o exemplo de uma artesã curitibana que fazia velas decorativas. Pelo Portal Impulso, conseguiu R$ 700 para a compra de formas adicionais. Além do aporte monetário, obteve também a doação de formas que estavam fora de uso. Hoje, a artesã fornece para clubes, festas de formaturas e casamento. "E já está construindo um pequeno ateliê", conta Lina.

Diego ressalta também que o crowdfunding pode funcionar como alternativa de pesquisa de mercado antes mesmo de os produtos saírem do papel. "O grande benefício é que se pode testar para ver se vai haver clientes para o produto. Se o público mostrar interesse no projeto, você já tem os primeiros 50 ou 100 clientes", defende.
























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