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19 de maio de 2012 • 13h33 • atualizado em 23 de Maio de 2012 às 16h13

Revisão programada em carro novo vale a pena? Entenda

Karina Craveiro
Direto de São Paulo

Você acaba de comprar seu carro zero, nem saiu com o veículo da concessionária, e o vendedor já entrega uma planilha com as revisões programadas, com preços "fixos". As montadoras têm argumentos (e muitos) que justificam a garantia de fábrica atrelada à revisão obrigatória nas autorizadas, mas seguir o planejamento pode ser vantajoso para uns, nem tanto para outros.

De acordo com o Procon-SP, exigir as revisões na concessionária para fazer valer a garantia deve estar no contrato de compra do veículo, e neste caso está de acordo com o Código de Defesa do Consumidor. Então, o jeito é se programar e reservar um dinheiro para não perder a garantia.

"Queremos prevenir que o cliente tenha qualquer surpresa, por isso a manutenção preventiva é feita. A ideia é manter o veiculo zero de novo. E se o seu veículo tem todas as revisões feitas, eu vou comprá-lo e andar tranquilo. As revisões feitas na concessionária agregam mais valor de revenda", defende Reinaldo Nascimbeni, supervisor de serviços técnicos da Ford, acrescentando que vincular a garantia às revisões é uma forma de fazer o cliente entender que a manutenção deve ser feita por toda a vida útil do veículo, e não somente enquanto este estiver na garantia.

Na opinião do consultor automotivo Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive, a revisão programada não chega a "prender" o cliente. "Revisões em garantia servem para preservar o bem, verificar possíveis desgastes e serve como estudo para a garantia de novos produtos", garante. Outro fator favorável à revisão programada é a comodidade, já que são agendadas e evitam esperas longas. Mas essa facilidade também tem um preço.

Segundo as motadoras, até uma simples troca de óleo deve ser feita na autorizada durante o período da garantia. Situação que ainda gera desconfiança por parte dos consumidores. Em muitos casos, apesar de a tabela de preço ser fixa, pode sair mais barato levar o carro a um mecânico de confiança.

"O problema é que sempre ouve uma crença de que o trabalho realizado nas concessionárias era muito mais caro. Depois do preço fixo, a procura pela rede de concessionárias aumentou muito. Acho que estamos conseguindo tirar a desconfiança que o consumidor tinha para levar o carro pra revisão. Isso é uma coisa cultural, mas que vem sendo mudada", diz Daniel Andrade, supervisor de marketing de pós-vendas.

Como funciona?
Cada montadora estabelece o período de revisão de cada veículo, que vai depender da quilometragem ou tempo de uso. Na maioria das montadoras, a visita às concessionárias acontece a cada 10 mil km rodados. Nas primeiras revisões, o mecânico autorizado realiza, geralmente, a troca de óleo e filtro. Ele ainda verifica o nível dos fluidos de direção, da transmissão, entre outros.

A partir dos 40 mil km, o check-up automotivo é mais completo, já que são verificadas pastilhas de freio, filtros de combustível, de ar, realizada a troca de fluídos de freio, direção, e de óleo da caixa, e velas, caso necessário. Aos 60 mil km, o aconselhado pelos manuais é a troca das correias, entre outros.

Esqueceu?
As fabricantes explicam que o proprietário do carro tem sempre uma margem de quilometragem quando se trata do prazo da revisão. Se a revisão deve ser feita aos 5 mil km, o carro pode ser levado à concessionária a partir dos 4 mil km ou até o 6 mil km. Caso ultrapsse as margens, o cliente corre o risco de perder a garantia.

Marcas
- Ford: as revisões acontecem a cada seis meses ou 10 mil km. Dentro dos 36 meses acontecem seis revisões, todas com preço fixo;
- Chevrolet: a marca orienta que as manutenções devem ser feitas a cada 10 mil km ou 12 meses, todas com preço fixo;
- Fiat: as revisões dos modelos da montadora italiana acontecem a cada 12 meses ou 15 mil km. O preço das revisões é fixo;
- Volkswagen: as revisões acontecem a cada seis meses ou 10 mil km;
- Peugeot: as manutenções são feitas a cada 10 mil km rodados. O preço das revisões é fixo;
- Citroën: o cliente da marca francesa tem de levar o veículo na autorizada a cada 10 mil km rodados. O preço das revisões é fixo;
- Hyundai: revisões acontecem a cada 10 mil km. No site da marca coreana, além do custo de cada manutenção, existe até uma tabela que indica com exatidão o tempo gasto na oficina. O preço das revisões é fixo;
- Kia: o proprietário de uma modelo da marca coreana tem de levar o veículo na autorizada a cada 10 mil km rodados. Os preços não são fixos.
- Renault: as revisões acontecem a cada 10 mil km. O preço das revisões é fixo;
- Chery: a primeira revisão periódica obrigatória acontece aos 2,5 km. A segunda é feita aos 10 mil km. A partir daí, o veículo visita a concessionária a cada 10 mil km rodados. Os preços não são fixos;- Nissan: as revisões acontecem a cada 10 mil km. O preço das revisões é fixo;
- Mitsubishi: a fabricante japonesa diz que os proprietários devem levar seus modelos às autorizadas a cada 10 mil km ou 6 meses. O preço das revisões é fixo;
- Honda: o proprietário de uma modelo da marca japonesa tem de levar o veículo na autorizada a cada 10 mil km rodados. Nas três primeiras a mãe de obra é gratuita. Não existe preço fechado;
- Toyota: as revisões obrigatórias acontecem a cada 10 mil km. Os preços das manutenções são apenas sugeridos pela marca.

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