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16 de setembro de 2012 • 09h27 • atualizado às 09h30

1º carro fabricado no Brasil faz 56 anos e ganha exposição

Modelo é capaz de transportar dois adultos e uma criança
Foto: Rose Mary de Souza / Especial para Terra
 
Rose Mary de Souza
Direto de Campinas

O primeiro carro fabricado em série no Brasil foi lançado há 56 anos. Era setembro de 1956 e em uma tradicional indústria de fundição em Santa Bárbara d'Oeste, interior de São Paulo, nascia a Romi-isetta, um modelo de veículo compacto, capaz de transportar dois adultos e uma criança e rodar 25 km com um l de gasolina. A ideia de colocar a Romi-isetta no mercado e transformá-la em um produto popular foi inspiração vinda de veículos europeus da época. A carroceria é pequena com linhas arredondadas e arte final simplista que sugere baixo custo de produção.

O grande diferencial é a única porta na frente do veículo e o cabo do volante que se dobra. O motor transversal tem dimensões enxutas e o modelo oferece um único banco como opção de assento. A velocidade máxima, em linha reta, é de até 85 km/h no veículo que possui quatro marchas e uma ré. O motor tem um cilindro com 300 cilindradas, uso de uma vela de ignição e bateria para alimentação elétrica.

Foram os proprietários da Indústria Romi S/A, uma empresa familiar fundada em 1930 por Américo Emilio Romi e Carlos Chiti, que apostaram na ideia de fazer um carrinho para o mercado brasileiro já ávido por novidades no campo automobilístico. A produção da Romi-Isetta foi encerrada em 1961 com um total de três mil unidades. Hoje apenas 10% ainda resistem e os modelos restantes são encontrados entre colecionadores ou abandonados em alguma oficina aguardando reparos.

Segundo o aposentado Roberto Placido Joaquim, 62 anos, proprietário de uma Romi-Isetta de cor azul clara, esse é o carro nacional cada vez mais raro de ser encontrado principalmente pela falta de interesse dos apaixonados por relíquias motorizadas. "A gente encontra com facilidade gasolina, óleo e ar para o pneu", diz entre risos, o aposentado que dispõe de outra raridade: uma DKW ano 1967 restaurada com maioria de peças genuínas e apta para pegar a estrada. "É cada vez mais comum encontrar pessoas que colecionam modelos americanos e cada vez mais difícil ver a preocupação dos colecionados pelos carros nacionais, os brasileiros", comenta.

Joaquim fala da grande satisfação em ser chamado para expor a velha e a nova Romi, no Campinas Shopping, em Campinas, que até dia 30 deste mês expõe dois modelos ao visitante. Além disso, a exposição conta com painéis com cópias de fotografias da época e recortes de jornais com reportagens do que significou uma promessa para um Brasil que ainda não tinha construído o Distrito Federal, Brasília.

Segundo o colecionador, a cada ano que passa fica mais complicado encontrar peças de reposição justamente pela raridade que isso significa. Eventos como encontros de donos de carros antigos são oportunidades de fazer contatos com colecionados e garimpar artigos que hoje não são mais fabricados. As redes sociais pela internet também ajudam. "Os pneus já não são fabricados e é preciso importar. Na Índia e China, por exemplo, ainda rodam pequenos carros com esse tamanho de roda", conta.

"Parece brinquedo"
Na abertura da exposição no Campinas Shopping curiosos se aproximavam atentos para os dois modelos. O atendente de SAC Jonny Nogueira e sua mulher Gisele Nogueira são portadores de deficiência visual. Ela perdeu totalmente a visão, mas o marido enxerga relativamente bem. Nogueira pediu autorização para deixar que a mulher tocasse no carro e, assim, pudesse ter uma ideia da proporção e ia descrevendo os detalhes originais das curvas do Romi-Isetta.

"Parece de brinquedo", disse Gisele após a vistoriar com a ponta dos dedos a lataria e alguns pontos do interior do veículo. "É muito interessante. Um veículo para duas pessoas, pequeno ocupa menos espaço, é fácil de manobrar", comentou Nogueira, depois de registrar fotos com o aparelho celular.

O vendedor Marcelo Rocha acha que essa versão de automóvel combina mais em países onde o uso de um modelo de carro não represente um estilo pessoal, mas sim, uma opção barata de ir e vir. "Hoje em dia, o proprietário de um carro assim demostraria ser uma pessoa simples. Parar no semáforo ao lado de um carro maior seria desproporcional", comentou. Para o vendedor, um carro pequeno pode fazer muito sucesso em localidades do mundo como uma forma de transporte popular de baixo custo.

Serviço:
- Exposição: Romi-Isetta
- Período: até 30 de setembro de 2012
- Horário: das 10 às 22 horas
- Entrada: gratuita
- Onde: Campinas Shopping (rua Jacy Teixeira de Camargo, 94 - Jardim do Lago, Campinas-SP)
- Acesso: entrada do ponto final dos ônibus

Especial para Terra