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Sexta, 6 de setembro de 2002, 17h05

Fonte: Reuters

Turbulência nos Mercados

FMI aprova empréstimo de US$ 30 bi para o Brasil

Atualizada às 17h25

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou empréstimo de US$ 30,4 bilhões para o Brasil. Os novos recursos procuram acalmar a crise de confiança precipitada pelo cenário eleitoral no país.

Com os mercados temendo que o próximo presidente possa abandonar a disciplina fiscal e ter problemas para gerenciar a dívida de mais de US$ 250 bilhões, o FMI anunciou no mês passado que apoiaria o Brasil com o maior pacote de empréstimos já concedido.

Segundo comunicado emitido pelo Fundo, cerca de US$ 3 bilhões estarão disponíveis imediatamente e outros US$ 3 bilhões acessíveis antes do fim do ano, após uma revisão do acordo. O restante poderá ser sacado em quatro parcelas até o fim de 2003, dependendo das revisões, que têm como objetivo garantir que o governo mantenha políticas econômicas estáveis.

No começo da semana, o governo brasileiro informou que persegue uma meta mais alta de superávit primário neste ano, para reduzir o peso da dívida. O governo ampliou sua meta de superávit para 3,88% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2002, ante os 3,75% demandados anteriormente pelo FMI. A elevação procura reafirmar aos investidores que o país manterá medidas austeras para continuar solvente.

Tipicamente o FMI tenta evitar empréstimos de grandes somas a governos próximos de eleições. Mas com a posição brasileira ficando cada vez mais sensível, o Fundo entendeu que tinha poucas opções, senão assinar o maior pacote de sua história.

METAS E CONSEQUÊNCIAS

Essa não é a primeira vez que um país recebe recursos do Fundo perto de uma eleição. Em dezembro de 1997, em meio à crise asiática, o FMI liderou um desembolso para a Coréia do Sul apenas duas semanas antes de uma eleição presidencial.

Para se proteger de alguma mudança na política econômica brasileira assim que o próximo presidente assumir o cargo em janeiro, US$ 24 bilhões do pacote ficam disponíveis apenas no próximo ano. Em troca, o novo governo deve manter superávit primário de 3,75% do PIB. Se a meta não for atingida, o acesso ao programa fica suspenso.

No mês passado, o presidente Fernando Henrique Cardoso discutiu o acordo com os principais presidenciáveis, em uma tentativa de acalmar a ansiedade dos investidores.

Há apenas um ano, o Brasil assinou uma linha de US$ 15 bilhões com o FMI para servir como um pacto de prevenção. Com a desaceleração da economia mundial após os ataques de 11 de setembro e a instabilidade pelo cenário político, no entanto, o Brasil utilizou o crédito rapidamente e forçou o país a voltar ao FMI.

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