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Quinta, 8 de outubro de 2009, 18h23

Fonte: Redação Terra

Mercado financeiro

Papel do Santander tem perspectiva incerta, diz analista

Atualizada às 18h18

A euforia com o status de maior oferta inicial de ações (IPO, da sigla em inglês) do mundo em 2009 levou os pequenos investidores a agirem "mais com a emoção do que a razão" na operação do Santander, que terminou o primeiro pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), nesta quarta-feira, com queda de 3,74%. Segundo operador sênior da Tov Corretora, Julio Mora, as perspectivas de ganhos "excelentes" com o papel, no curto prazo, não são boas, principalmente porque o banco espanhol não é tão promissor quanto seus rivais Itaú Unibanco e Bradesco.

No longo prazo, ele diz que o papel do Santander pode trazer bons ganhos. Segundo ele, principalmente se a instituição cumprir as promessas feitas aos acionistas, de adotar uma estratégia de expansão mais agressiva e usar o dinheiro da operação no País. Mas, faz uma ressalva. "Fica a minha pergunta: não tem papéis aí na bolsa que podem subir mais? Sim, claro que tem".

O analista explica que, desde o começo da operação do Santander, muitos operadores não tinham boas expectativas para a unit (certificado composto por ações ordinárias e preferenciais). No entanto, o comportamento do mercado mostrou o contrário.

Segundo ele, um dos motivos para a euforia com o IPO da filial brasileira do Santander foi a abertura de capital da VisaNet, ocorrida em junho. Na ocasião, a empresa de cartões levantou R$ 8,4 bilhões e suas ações subiram 11,8% no primeiro dia de negociação. De acordo com Mora, quem ficou de fora desta operação ficou frustrado com a perda de uma grande oportunidade.

"Quem entrou pensando que ia ser um IPO quente como da VisaNet, entrou pelo cano. Maior IPO da história, mas e daí? Quem disse que isso é bom para o minoritário? Para (comprar ações de) banco, no Brasil, eu preferiria comprar Itaú e Bradesco", afirma ele.

A diferença de ganhos dos investidores nos dois IPOs se explica, de acordo com Mora, pela atratividade das empresas. "A VisaNet vem da maior operadora de cartões do mundo, que detém 65% do mercado no Brasil. Já o Santander é mais um banco entre vários que já abriram capital", diz.

Apesar da decepção inicial, Julio Mora aponta que o desempenho dos mercados acionários no exterior pode ajudar na recuperação do papel do banco espanhol. "Mas não creio em excelentes resultados nos próximos dias. Os grandes ganhadores, por enquanto, são: o banco e os intermediadores", afirma o operador-sênior da Tov.

Para algum alívio dos minoritários, o operador diz que o baixo índice de rateio minimizou as perdas. "Uma pessoa que fez uma oferta de R$ 100 mil (para comprar units), levou apenas R$ 10.895,85. Hoje, acredito que eles devem estar aliviados.", afirma.

Após o tombo da estreia, as units do Santander fecharam em leve alta no pregão desta quinta-feira, cotadas a R$ 22,67, com valorização de 0,22%.

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