Quarta, 7 de junho de 2006, 19h45
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Fonte: Reuters News

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Aviação
Entenda a crise da Varig
A Varig foi colocada à venda depois de mais de 10 anos de crise financeira e muitos conflitos. Brigas internas, planos fracassados, trocas sucessivas de presidentes e relacionamentos instáveis com o governo marcaram a história da companhia aérea considerada símbolo do País no exterior.
A empresa liderou o mercado brasileiro até meados de 2003, lugar hoje ocupado pela TAM. A debilitada situação financeira impediu a Varig de barrar o crescimento da TAM e enfrentar a concorrência da Gol, que estreou no mercado em 2001.
Cercada de dívidas, a Varig registrou sucessivos prejuízos ao longo dos últimos anos, agravados por planos econômicos que congelaram tarifas aéreas, de 1985 a 1992, e pela desvalorização do real, em 1999.
A empresa tem dívidas de R$ 7 bilhões e créditos a receber dos governos estaduais e federal que totalizam cerca de R$ 4,5 bilhões, de acordo com a assessoria de imprensa. A companhia registrou prejuízo de R$ 1,5 bilhão em 2005.
Várias tentativas de salvamento da Varig foram realizadas sem sucesso desde 2002, depois que a controladora da companhia, Fundação Ruben Berta, aprovou em assembléia abrir mão do controle da Varig, na qual possui 87%.
No final do governo Fernando Henrique Cardoso, o ministro do Desenvolvimento na época, Sérgio Amaral, afirmou que a Varig era viável depois de estudos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que pretendia ajudar a capitalizar a empresa. Com a mudança de governo em 2003 e desentendimentos com a Fundação Ruben Berta, no entanto, o plano foi suspenso.
Desde 1995, a Varig teve 11 presidentes, sendo quatro apenas em 2005.
Com o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva os planos de salvamento da Varig passaram pela tentativa de fusão com a TAM, idéia na época atribuída ao então ministro da Casa Civil José Dirceu. A resistência de ambas as partes - da família controladora da TAM e dos dirigentes da Fundação Ruben Berta - abortaram a união. As duas empresas, contudo, firmaram um acordo de compratilhamento de vôos que durou cerca de um ano.
Após uma breve melhora com o aumento de receita em 2004, a empresa reduziu o prejuízo mas não solucionou as dívidas, o que a obrigou a devolver aviões às empresas de leasing. Como consequência, perdeu ainda mais mercado para TAM e Gol. Nos últimos três anos, a Varig caiu de uma participação no mercado doméstico em torno dos 40% para 16% este ano. A frota de mais de 80 aviões foi cortada pela metade com a crise no período.
Em 2005 o consultor David Zylbersztajn foi contratado para ajudar a encontrar uma solução para a empresa e novamente um plano de capitalização foi apresentado, acompanhado do interesse da companhia aérea portuguesa TAP em comprar a Varig. Mas o processo foi atropelado por pressão de credores, o que culminou com a a entrada da Varig no novo sistema de recuperação judicial para evitar a falência.
Pelas mãos do juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Rio, a recuperação judicial da Varig completa um ano no próximo dia 17. No plano de recuperação, implantado pela consultoria Alvarez & Marsal, que fez a bem-sucedida reestruturação da US Airways, já estava prevista a venda de
ativos da companhia para pagar dívidas.
Duas subsidiárias, VEM e VarigLog, foram vendidas para a TAP e o fundo norte-americano Matlin Patterson, respectivamente.
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