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Fórum Econômico Mundial

  

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Segunda, 31 de janeiro de 2005, 8h51

Fonte: AFP

Fórum Econômico Mundial

Davos olhou para o social e deu razão a Lula

A edição 2005 do Fórum Econômico Mundial (WEF) encerrado neste domingo, em Davos, será recordada como o retorno do social ao templo do liberalismo - um encontro em que a pobreza foi seu grande tema, dando razão, de uma certa forma, aos ideais do presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva.

"A fome é um problema para os que estão comendo", foi a frase que usou o presidente Lula para fazer recordar na sexta-feira para a elite reunida em Davos sua responsabilidade em agir para solucionar os grandes desafios globais, como a pobreza e as doenças.

"Seus clamores têm sido ouvidos", disse a Lula nesse mesmo dia o fundador do Fórum, Klaus Schwab, que reconheceu a liderança do presidente brasileiro em uma questão que colocou em segundo plano outros temas tradicionais de Davos, como os riscos econômicos nos Estados Unidos, a ascensão da China e a paz no Oriente Médio.

Dois anos depois de sua primeira visita ao coração do liberalismo globalizante, Lula constatou que os líderes mundiais presentes na estação de esqui dos Alpes suíços retomaram seu discurso de 2003 e lançaram propostas para promover uma globalização mais justa.

O presidente francês Jacques Chirac (um aliado de Lula nesse campo), o primeiro-ministro britânico Tony Blair e o chanceler alemão Gerhard Schroeder exigiram um após o outro durante os três primeiros dias de Davos a atuação imediata para extirpar a pobreza e as doenças nos países pobres e aumentar a ajuda ao desenvolvimento.

A onda social não deixou de fora ninguém e teve momentos memoráveis, como quando o homem mais rico do mundo, Bill Gates, pediu que os políticos "multipliquem" a ajuda governamental, utilizando o "exemplo de alguém que cumpre com suas promessas" como o presidente de Tanzânia, William Mkapa, a quem ajuda na luta contra a malária.

O exemplo da atriz americana Sharon Stone que se levantou em pleno debate sobre a pobreza na África para oferecer um donativo pessoal a Mkapa e arrecadar em alguns minutos um milhão de dólares, foi um espetáculo hollywoodiano que comoveu num local onde reina a mesura e o comedimento.

Desde a proposta de um imposto internacional para financiar a luta contra a Aids do presidente Chirac (que discursou através de uma videoconferência) ao pedido de Mkapa para que todos os países cumpram com o compromisso adotado de dedicar 0,7% de seus PIBs para o desenvolvimento das nações pobres, Davos foi a plataforma de lançamento de uma mensagem clara em um mundo dividido em dois.

Com isso, pareceu encurtar-se a distância que o separa de Porto Alegre, onde milhares de participantes do Fórum Social Mundial (FSM) se reuniram paralelamente para exigir uma globalização justa e "relações comerciais eqüitativas" entre Norte e Sul.

A própria Organização Mundial do Comércio (OMC), besta negra de Porto Alegre, esteve este ano em Davos com uma face mais social, e seu diretor-geral Supachai Panitchpakdi assegurou que "os acordos comerciais fazem parte das medidas para reduzir a pobreza".

A América Latina teve um excelente embaixador em Lula que, além de sua luta contra a pobreza, mostrou a Davos uma imagem muito positiva da região e explicou como se pode ter "crescimento e estabilidade" com os olhos voltados para o social.

"Quando estive aqui há dois anos havia uma mescla de temor e incerteza pelo que ia fazer um sindicalista à frente de um país como o Brasil. Hoje volto para dizer que o Brasil está fazendo a sua parte: estabilidade e crescimento", disse um enérgico Lula no auditório do Congress Hall de Davos.

O presidente brasileiro reiterou também a aspiração de seu país a ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU em 2007, ao lado de outros candidatos como Índia, Japão e Alemanha.

O papel do restante da América Latina no Fórum foi bem mais limitado.

Chile e México, presentes com ministros, também procuraram apresentar-se como exemplos de estabilidade na região.

A Argentina, que não teve representantes de alto nível em Davos, viu como seu plano de mudança da dívida provocou um tenso debate entre empresários e economistas desse país e um grupo de líderes internacionais, entre eles a subdiretora-gerente do FMI, Anne Krueger.

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