Brasil 21:08 HS - 9/2/2010  NotíciasAções

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Fonte: Investnews

Seguros

Na contramão do mercado internacional

A situação do Brasil é muito melhor do que a vivida pelas seguradoras dos Estados Unidos e da Europa.

Os acionistas da maior parte das seguradoras têm motivos para comemorar. A rentabilidade que começa a ser exibida nos balanços semestrais é animadora diante do quadro internacional de perdas do setor. As vendas de seguros de bens, como automóvel, o mais comprado pelos brasileiros, por sua vez, apresentam crescimento irrisório, um reflexo do desaquecimento da economia do País. Já a área de vida, a mais rentável, está a todo vapor.

Atualmente, a situação do Brasil é muito melhor do que a vivida pelas seguradoras dos Estados Unidos e da Europa. Nos países desenvolvidos está ocorrendo uma séria crise de confiabilidade em relação às companhias de seguro e de resseguro, em função das perdas com os atentados terroristas de 11 de setembro e com a queda dos mercados acionários em razão dos escândalos contábeis.

País sem catástrofes

No Brasil, as elevadas taxas de juros de 18% ao ano ajudam as companhias a repor gorduras queimadas no auge da concorrência, em 1998, ou a compensar um grande prejuízo. O País não tem registros de catástrofes naturais.

Há alguns sinistros elevados, como o da plataforma da Petrobras, ou a parada dos altos fornos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e o da Açominas, os maiores sinistros na área siderúrgica nos últimos anos, mas que estavam quase que integralmente ressegurados no exterior. "A solvência das companhias brasileiras vai muito bem, obrigado", afirma Hélio Portocarrero, presidente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão fiscalizador da área, referindo-se à capacidade das companhias honrarem seus compromissos.

"Como o mercado acionário do Brasil ainda é muito pequeno, as seguradoras concentram a aplicação de suas reservas em renda fixa", complementa. Mesmo com as reservas aplicadas nesse porto seguro, os balanços deverão trazer uma pequena perda com a marcação a mercado que os fundos de renda fixa foram obrigados a fazer na primeira metade do ano.

A política adotada por grande parte das seguradoras para otimizar a rentabilidade foi a de deixar o preço do seguro automóvel num patamar possível de ganho operacional e estimular as vendas de outros produtos onde a margem é maior, como seguro de vida, residência, desemprego, renda diária, responsabilidade civil de profissionais autônomos, entre outros. Foi uma estratégia que nos ajudou a manter a receita e reduzir a eventual retração nas vendas", diz Umberto Fabbri, diretor da área de seguros do Citibank.

Mercado virgem

O faturamento do setor de seguros, previdência e de capitalização, com tradicional oscilação em torno de 1% do PIB, saltou de um faturamento de R$ 13,9 bilhões em 1994 para atingir receitas de R$ 37,6 bilhões em 2001, passando a 3,18% do PIB em 2001, segundo dados da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privadas e de Capitalização (Fenaseg).

Apesar do forte crescimento do setor de seguros nos últimos anos, ainda há muito o que fazer, principalmente na área de seguro de vida, um setor que pode ser considerado virgem no Brasil. Segundo Portocarrero, mais uma vez o setor apresentará crescimento acima dos índices da economia em 2002.

A razão específica para isso tem um nome complicado mas não passa de um seguro de vida com acumulação de renda, visando a aposentadoria. Trata-se do Vida Gerador de Benefícios Livre (VGBL), irmão do Plano Gerador de Benefícios Livre (PGBL). "As vendas do VGBL de março até junho superaram todas as expectativas dos operadores e até agora apenas três seguradoras ligadas a bancos e duas independentes estão comercializando o produto.

Imagino agora, no segundo semestre, que vários outros players vão lançar seus produtos ", comenta o presidente da Susep. Em razão disso, a Susep refez as contas e já projeta crescimento nominal de 15,8% para a atividade de seguros este ano, comparado com 2001. Tal índice supera as estimativas de lideranças do mercado, que apontam expansão de 15%. Nas contas da Susep, as seguradoras chegarão ao final de 2002 com receita de R$ 22,3 bilhões, sem o seguro-saúde, que movimenta prêmios superiores a R$ 5 bilhões por ano, hoje na alçada da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). "Os méritos desse crescimento são das seguradoras, que souberam ser ágeis e criativas", ressalta João Elísio Ferraz de Campos, presidente da Fenaseg.

Cenário favorável

Diante de um cenário nacional tão favorável às companhias brasileiras, quem ganha é o segurado, que tem a cada dia um leque maior de opções. E por ele estar cada dia mais bem informado, as companhias estão caprichando cada vez mais nos produtos oferecidos. Até mesmo um motorista particular para levar o segurado que bebeu demais para casa é oferecido. "Hoje o Brasil tem seguro para quase tudo e com um grau de sofisticação equiparado ao dos países desenvolvidos", diz Campos.

Mas há quem aposte no lançamento de produtos básicos para enfrentar a atual instabilidade financeira. As pesquisas mostram que o fator preponderante ao consumidor é preço, pois ter o seguro do carro e de saúde já é essencial. "Acho que se as companhias lançarem um seguro básico, sem as plumas e paetês dos atuais, o preço tende a cair e isso irá ter um público certo", comenta João Régis, vice-presidente de Marketing da Sul América Seguros, que está lançando um seguro-saúde regional, com preço bem mais enxuto do que os praticados nas grandes capitais.

Enquanto os consumidores individuais ficam em dúvida na escolha pela fartura de produtos e serviços, as grandes empresas estão amarradas às tarifas do mercado mundial. As renovações dos contratos de grandes riscos, que na maioria dos casos necessita de resseguros, estão complicadas.

"Além dos reajustes, novas franquias foram criadas e as antigas reajustadas, comenta Francisco Aldenor, diretor técnico do IRB Brasil Re. Segundo recente pesquisa do IRB, que detém o monopólio de resseguros no País, as empresas de energia tiveram aumento de 45% nos seguros de propriedade entre julho de 2001 e julho de 2002.

As companhias de petroquímica sofreram reajuste de 94%; as do setor de papel e celulose, de 79%; as de siderurgia, de 188%; as de telefonia, de 103%. E a tendência das resseguradoras é de manutenção das altas taxas por mais uns três anos", diz Henrique de Oliveira, diretor da Swiss Re.

Com tal crescimento, o Brasil chamou a atenção de investidores internacionais, ávidos por desenvolver novos mercados com potencial de expansão. Em 1994, a participação das empresas estrangeiras no País não ultrapassava 7%. Hoje supera 50%.

Ao mesmo tempo em que o Plano Real ajudou o setor a vender mais, com a estabilidade da moeda, complicou a vida de algumas seguradoras, que não tinham fôlego para enfrentar a concorrência e decidiram dividir ou passar o controle acionário. Uma delas foi a Paulista Seguros, comprada pela Liberty Mutual. Outras buscaram um parceiro também para agregar know-how, como a Unibanco Seguros com o grupo norte-americano AIG, a Marítima Seguros, com a Nationwide, e Sul América Seguros, que passou a ter como sócio o grupo holandês ING, que adquiriu mundialmente as operações de saúde da Aetna.

Há também as mudanças de controle geradas pelas fusões bancárias, como a do Itaú, que adquiriu o Bemge e o Banerj, ou mesmo o Bradesco, que fez diversas compras como as do BCN, BancoCidade, Mercantil de São Paulo e Banco do Amazonas, só para citar as recentes.

Temos também as que arriscaram uma carreira solo no País, como a MetLife, maior seguradora de vida dos Estados Unidos, a Cigna Previdência, que atua com foco em empresas, ou a Prudential, dos Estados Unidos, que desfez recentemente a parceria com o Bradesco e passa a vender seguro de vida somente para pessoas físicas. Já a Canadá Life atua com vida e previdência tanto para pessoas físicas como para empresas. As francesas Cardif e Assurant optaram por nichos específicos, como seguro de proteção financeira.

Fusões e parcerias

O movimento de parcerias e fusões realizadas não mudou bruscamente o ranking de receitas, permanecendo as cinco primeiras posições praticamente iguais. Até maio, os dez maiores grupos seguradores brasileiros detinham cerca de 75% do mercado, enquanto os cinco primeiros, 60%. Só as duas primeiras maiores seguradoras são donas de quase 39% do mercado, sendo a Bradesco Seguros com 21,26% e a Sul América com 17,67%. A terceira maior companhia do País, a Porto Seguros Seguro, tem participação de 7,17%.

Até maio deste ano, segundo a Fenaseg, o segmento de pessoas, que reúne os seguros de vida, saúde e acidentes pessoais, é que está ditando o ritmo do crescimento do setor de seguros nos últimos anos. As vendas das seguradoras apresentaram crescimento de 12,55% de janeiro a maio deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas de títulos de capitalização evoluíram 3,73% e, segundo dados da Fenaseg, as contribuições em planos de previdência complementar registraram queda de 6,39% até maio, para R$ 2,75 bilhões.

A média do índice de indenizações pagas, ou seja, os valores que as seguradoras devolveram aos segurados em forma de pagamentos de acidentes ocorridos, ficou em 62,21%, abaixo dos 66,91% registrados de janeiro a maio de 2001. Isso significa dizer que dos R$ 9,2 bilhões em prêmios, as companhias retornaram aos clientes cerca de R$ 5,2 bilhões dos prêmios recebidos para indenizar danos segurados.

O seguro automóvel continua liderando o ranking do setor em prêmios, mas vem perdendo participação. Em 1985, este ramo passou a ser o carro-chefe do setor, com 25,9%. Em 1996, já era responsável por 42% do mercado, posição que caiu para 29% até maio deste ano, com prêmios de R$ 3,34 bilhões.

O seguro de auto deverá apresentar um faturamento estável em 2002, apesar da queda já registrada nas vendas de veículos zero quilômetro. Em alguns casos, o produto é responsável por mais de 70% do faturamento de muitas companhias. O seguro automóvel tem o maior índice de sinistralidade (prêmios menos indenizações), de 72,56%, superado apenas pelo seguro-saúde, com 83,15%.

O seguro de vida e saúde, que eram inexpressivos no passado, agora detêm uma fatia aproximada de 20% cada um. Saúde movimentou R$ 2,5 bilhões até maio. Vida surge como a carteira mais rentável e o terceiro seguro mais vendido no Brasil, com prêmios de R$ 2,1 bilhões (23,5% nas vendas).

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