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O famoso corralito
2002: ano amargo

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Leia o especial que o Terra Argentina produziu sobre a crise

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Fonte: Reuters

Cronologia

Em 2002, Argentina acaba com paridade cambial e luta por empréstimo do FMI

O ano de 2002 novamente foi amargo para a Argentina, dando sequência ao agravamento da crise ocorrido em 2001. Em janeiro, o presidente Eduardo Duhalde, que assumiu o cargo após a renúncia de Adolfo Rodríguez Saá em 30 de dezembro de 2001, instituiu novo pacote econômico que aprovou, entre outras medidas, a desvalorização do peso, depois de 10 anos de paridade cambial com o dólar. A cotação do dólar americano foi fixada em 1,40 peso e a desvalorização passou de 70%. Também em janeiro, o novo "corralito", ou seja, a restrição de saques bancários, passou a vigorar. Cada correntista podia sacar um valor correspondente de até US$ 500 por mês. Meses depois, em junho, a Argentina deu início à troca de depósitos por bônus, mas a medida não teve grande adesão da população. Segundo dados não oficiais, menos de 30% das pessoas aderiu à medida.

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Para piorar a situação, o país passou 2002 à espera de um empréstimo do FMI (Fundo Monetário Internacional) que nunca veio. Cada vez que o governo tentava novo acordo, mais uma saraivada de críticas à condução da política monetária argentina era feita pelo Fundo. Cansada, a Casa Rosada estipulou o dia 9 de novembro como data limite para um acordo com o FMI. Caso contrário, começaria a não honrar seus compromissos. E foi o que aconteceu. Encurradala, a Argentina se viu obrigada a não pagar uma dívida com o Banco Mundial (Bird), que venceu dia 14 de novembro. De um total de US$ 809 milhões, o governo pagou US$ 77 milhões referente aos juros. O Bird, um dos poucos órgãos financeiros internacionais que ainda liberava crédito para o País, suspendeu novos empréstimos.

O ministro da economia, Roberto Lavagna, avisou que seu País não pagaria o que deve sem conseguir um acordo com o FMI. Depois do quase calote, o FMI aceitou adiar por um ano o vencimento de uma parcela da dívida que venceria dia 22, também de novembro, no valor de US$ 141 milhões. O próprio presidente Eduardo Duhalde já interferiu nas negociações junto ao Fundo para tentar acelerar o acordo. De nada adiantou. Enquanto isso, autoridades do FMI continuam revisando novas propostas do governo argentino para obter um acordo que nunca chega.

Feriado bancário e "dança das cadeiras" no governo

Em abril, o governo decretou um feriado bancário que durou uma semana e foi sucedido por um acordo de 14 medidas assinado entre Duhalde e líderes do Partido Justicialista. O acordo tinha alcance econômico, político e social.

Em meio a tempestades que pareciam se tornar cada vez mais intensas, ministros e secretários renunciaram. O primeiro ministro a abandonar o barco foi o da pasta econômica Jorge Remes Lenicov, em abril, substituído pelo até então embaixador da Argentina na União Européia, Roberto Lavagna. Lavagna foi o sexto ministro a assumir a pasta de economia em 1 ano e um mês. Em julho, Lenicov assumiu o posto de Lavagna na embaixada argentina.

Também renunciaram em 2002 o secretário da Agricultura Miguel Paulón (8/4), o presidente do Banco Central Mario Blejer (21/6), uma das diretoras do Banco Central Amalia Martínez (15/5), um outro diretor do Banco Central Felipe Murolo e o secretário da Agricultura Rafael Delpech (ambos em 9/8) e o presidente do Banco Central Aldo Pignanelli (5/12). Em agosto, o próprio presidente Eduardo Duhalde ameaçou renunciar caso as eleições presidenciais fossem adiadas para depois de 30 de março de 2003. Em agosto, ficou decidido que as eleições seriam antecipadas de setembro de 2003 para março.

Sinais de morte e ressurreição

A Argentina atingiu recordes desanimadores. Os salários registraram o nível mais baixo em 50 anos no mês de maio. Na mesma época, a cesta básica registrava um aumento de 70% nos preços em apenas cinco meses. Dois meses depois, em julho, a Argentina viu suas reservas caírem ao nível mais baixo desde 1994, para US$ 8,958 bilhões. A pobreza atingiu 53,8% da população em agosto. Cerca de 100 mil lojas foram fechadas entre janeiro e agosto.

Em setembro, a Argentina começa a demonstrar sinais de recuperação. A aposentadoria mínima, que antes era de 150 pesos (US$ 41) passa para 200 pesos (US$ 55). Em outubro, a inflação ao consumidor ficou em 0,2%, a menor taxa mensal do ano. Mesmo sem chegar a nenhum acordo com o FMI, a Argentina deu sinais, no último trimestre, que estava no caminho certo para alcançar a estabilidade econômica.

Saiba o que aconteceu no país entre 1999 e 2001

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