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Brasil desponta como opção para turista-paciente do exterior

13 set 2012
07h30
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Todo ano, milhões de turistas do mundo inteiro arrumam as malas com destino a México, Costa Rica, Índia e Tailândia. No entanto, aproximadamente 5 milhões deles não orientam a viagem em função das famosas praias e paisagens paradisíacas, mas para aproveitar os benefícios de centros hospitalares reconhecidos internacionalmente, aparatos tecnológicos avançados e, de quebra, custos mais vantajosos na execução de procedimentos cirúrgicos. Os países citados figuram entre os destinos mais requisitados para o turismo médico, nicho que movimenta anualmente cifras bilionárias com viagens voltadas para tratamentos de saúde. O próprio Brasil já ocupa uma posição privilegiada no ranking, mas ainda carece de investimentos em marketing para atrair mais turistas-pacientes.

O turismo médico é um nicho que movimenta cifras bilionárias anualmente com a promoção de viagens voltadas para tratamentos de saúde no exterior
O turismo médico é um nicho que movimenta cifras bilionárias anualmente com a promoção de viagens voltadas para tratamentos de saúde no exterior
Foto: Shutterstock



As estatísticas do setor se encontram apoiadas em um terreno movediço, com razoáveis diferenças entre as estimativas das consultorias e sem a divulgação das quantias movimentadas. Segundo a Patients Beyond Borders, que calculou o fluxo anual de turistas citado acima, o mercado é próximo de US$ 15 bilhões anuais. Mas para Jorge Curi, cirurgião-geral do Hospital de Clínicas da Unicamp (SP) e ex-presidente da Associação Paulista de Medicina, os números chegam a US$ 60 bilhões por ano. A oferta de serviços e profissionais qualificados por preços mais econômicos é um dos fatores atrativos do meio: nas tabelas da Associação de Turismo Médico dos EUA, em 2011, uma cirurgia de ponte de safena, com gastos em passagem e hospitalares incluídos, saía por US$ 144 mil no país - enquanto era realizada por US$ 27 mil na vizinhança mexicana, e por apenas US$ 5,2 mil na Índia.

Ainda assim, quem se dispõe a sair do país em busca de cuidados médicos está de olho em outras variáveis. "Há uma série de fatores correlatos que também influenciam, como o oferecimento de especialidades para um problema específico, possibilidade de levar acompanhantes, estabilidade econômica, diversidade cultural e clima, no caso do Brasil", afirma Curi, comentando que também podem ser enquadradas como turismo médico as viagens de tratamento complementar em termas, resorts e spas.

A qualidade dos procedimentos, a segurança do destino e o apoio logístico também determinam o local de tratamento. "Os destinos mais procurados dependem dos países de origem dos pacientes. Por exemplo, os norte-americanos procuram principalmente México, Costa Rica e Tailândia; já os ingleses preferem Turquia, Hungria, Espanha e Índia, e os russos procuram Alemanha, Espanha e Israel", conta Alex Lifschitz, acionista e fundador da Sphera Internacional, multinacional prestadora de serviços a empresas relacionadas às atividades do setor.

Brasil ainda necessita divulgação no cenário internacional
Segundo dados da Embratur, cerca de 30 mil turistas vieram ao Brasil em 2008 por motivo de saúde. Além da acreditação de complexos hospitalares nacionais no exterior, em especial os das regiões Sul e Sudeste, estima-se que o valor dos procedimentos médicos em geral no País representem um desconto de 25% a 40% em comparação aos EUA. A grande vedete das especialidades oferecidas no país é a cirurgia plástica e reconstitutiva, reconhecida como uma das mais qualificadas do mundo.

Outros destaques são cirurgia bariátrica, ortopedia, oftalmologia, dermatologia, cosmetologia e medicina do esporte, embora Lifschitz acredite que essas áreas ainda possuem expressão internacional muito pequena. "O turismo médico no Brasil é mercado certamente promissor, mas ainda incipiente se compararmos com outros países receptores de pacientes. Mesmo na área de cirurgia plástica, se houvesse um trabalho mercadológico para promover o Brasil no exterior, sua representação no cenário mundial seria muito superior à atual", afirma o executivo.

No entanto, Jorge Curi aponta uma tendência de aumento em torno de 35% no setor em comparação aos países estrangeiros, tanto pela aprovação do tratamento pelos turistas quanto pela visibilidade do país lá fora por conta de eventos como a Copa do Mundo. "A tendência do mundo hoje é intercâmbio, e com a facilitação da comunicação pela internet, o conhecimento de centros acreditados chega mais facilmente à população", afirma.












Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

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