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Bovespa fecha em queda de 2,77% após vitória de Dilma

Queda foi bem mais amena do que previa a parcela mais pessimista do mercado

27 out 2014
18h24
atualizado às 18h36
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<p>Ações da Petrobras afundaram, encerrando com a maior queda desde 12 de novembro de 2008, de 12% os papéis preferenciais e de 11% as ações ordinárias,</p>
Ações da Petrobras afundaram, encerrando com a maior queda desde 12 de novembro de 2008, de 12% os papéis preferenciais e de 11% as ações ordinárias,
Foto: Luiz Prado, BM&FBOVESPA / Divulgação

A Bovespa fechou nesta segunda-feira no menor patamar desde abril deste ano e com forte giro financeiro, um dia após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, em meio a ajustes de posições e expectativa sobre como a petista vai lidar com os desafios no campo econômico em seu segundo mandato.

A queda, contudo, foi bem mais amena do que previa a parcela mais pessimista do mercado, que esperava o acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe os negócios quando a queda supera os 10%. Nem na mínima da sessão, o Ibovespa chegou perto disso.

Profissionais do mercado ouvidos pela Reuters explicaram a queda mais branda citando que o Ibovespa ficou barato em dólar, o que atrai fluxo externo, assim como houve busca por pechinchas diante da queda mais forte na abertura e também alguma antecipação nos últimos pregões com apostas na reeleição.

O Bank of America Merrill Lynch também notou que investidores que buscam assumir posição de longo prazo ("long only") não estavam vendendo agressivamente, enquanto os fundos de hedge estavam cobrindo posições. Também citou que a maioria dos retornos que recebeu de agentes do mercado indicam que investidores estão olhando mais a lista de compras, do que a de vendas.

O Ibovespa fechou em baixa de 2,77%, a 50.503 pontos, após marcar 48.722 pontos no pior momento pela manhã, em queda de 6,2%. O volume do pregão somou R$ 17,8 bilhões.

"O Ibovespa deve ficar nesse intervalo de 48 mil a 52 mil pontos até que Dilma consiga identificar para o mercado quem estará na Fazenda, se é capaz de dar mais credibilidade (para a política econômica), particularmente na parte fiscal", avalia o sócio e fundador da Humaitá Investimentos, Frederico Mesnik.

Pesquisa Reuters publicada no final de setembro colocava o Ibovespa em 50 mil pontos no final do ano no caso de reeleição de Dilma.

"Se Dilma optar por um caminho diferente, pode conseguir acalmar o mercado. Caso insista em nomes que não são bem aceitos pelo mercado, teremos mais quatro anos extremamente ruins na economia", disse à Reuters o gestor de um fundo no Rio de Janeiro, que pediu para não ter o nome citado.

"No primeiro momento, o mercado não irá dar o benefício da dúvida a ela", avaliou.

Dilma venceu com 51,6% dos votos válidos, contra 48,4% do candidato do PSDB, Aécio Neves. O placar foi mais apertado até do que o da eleição de 1989, quando Fernando Collor de Mello (PRN) derrotou Lula por 53,03% a 46,97%.

A presidente reeleita está estudando a nova composição do governo e deve priorizar as escolhas para a área econômica, mas não deve divulgar nomes do ministério nesta semana.

Papel por papel
Mas se o Ibovespa não refletiu o tom mais pessimista, as ações da Petrobras afundaram, encerrando com a maior queda desde 12 de novembro de 2008, de 12% os papéis preferenciais e de 11% as ações ordinárias, com os preços retomando os níveis de março deste ano.

O UBS colocou em revisão a sua recomendação de "compra" para Petrobras e o preço-alvo de R$ 20, citando que a volatilidade global dos preços do petróleo e combustíveis e altas incertezas políticas podem exercer pressão sobre a estatal, na esteira da reeleição da presidente Dilma.

Os papéis da Eletrobras também esti veram entre as maiores quedas do índice, enquanto o papel do Banco do Brasil terminou em baixa de 5%.

Muitas outras ações também sofreram com a visão mais pessimista traçada por economistas para o país no curto prazo, como as dos bancos privados Itaú Unibanco e Bradesco e de empresas do setor imobiliário.

A alta do dólar, também reflexo da reação ao resultado das eleições, amparou ganhos de empresas como Fibra, Suzando Embraer e Braskem, que têm as receitas influenciadas por exportações.

Estrategistas do BTG Pactual recomendaram ações de setores "mais defensivos", como de serviços financeiros, ou beneficiados pela desvalorização do real, após a reeleição de Dilma, entre elas Braskem e Suzano, além de Estácio, também entre as poucas altas do índice nesta sessão.

Da safra de balanços, Hypermarcas reportou na sexta-feira à noite lucro líquido de R$ 118,8 milhões no terceiro trimestre, alta de 48,1% na comparação anual.

Tractebel Energia, maior geradora privada de energia do País, divulgou na sexta-feira, também após o fechamento do mercado, alta de 34% no lucro do terceiro trimestre, resultado bem acima do esperado pelo mercado.

Na terça-feira, a agenda de resultados inclui os números de Duratex e Klabin antes da abertura dos negócios, enquanto CCR e Cielo divulgou seus números após o fechamento da bolsa.

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