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Albergue é opção barata de investimento no setor hoteleiro

3 abr 2012
07h50

Os gastos previstos com a infraestrutura para a Copa do Mundo no Brasil já deram um salto de 28,7% em relação ao orçamento inicial e já chegaram a R$ 30 bilhões. Além da modernização de aeroportos, desenvolvimento do transporte viário e construção de novos estádios, um outro setor em que o País corre contra o tempo é o hoteleiro. Segundo dados da Fifa (Federação Internacional de Futebol Association) apenas o Rio de Janeiro e São Paulo apresentam número de leitos suficientes para o evento dentre as 12 cidades-sede da Copa de 2014.

O Atma Hostel, de São Paulo, divide seus seis quartos em até dezesseis clientes, mas os hóspedes têm acesso a ofurô, sauna a vapor, arrumação de quartos e aulas de pilates
O Atma Hostel, de São Paulo, divide seus seis quartos em até dezesseis clientes, mas os hóspedes têm acesso a ofurô, sauna a vapor, arrumação de quartos e aulas de pilates
Foto: Divulgação



Enquanto a construção de hotéis pode custar muitos milhões e demorar anos, empreendimentos menores como albergues - também conhecidos como hostels - podem funcionar com mais rapidez e com um investimento ao alcance também do pequeno e médio empresário.

Para Fabio Lazoski, proprietário do Atma Hostel, localizado em São Paulo, o protagonismo internacional do Brasil de maneira geral - e não somente a Copa - contribui para potencializar o negócio de albergues no País. "Na Europa, o hostel é uma opção comum de alojamento. Com mais empresários e turistas vindo para o Brasil, estamos entendendo como funciona o resto do mundo no que se refere à recepção", afirma.

De acordo com a Federação Brasileira dos Albergues da Juventude, existem cerca de 90 albergues funcionando no Brasil. Um número relativamente pequeno em comparação com a Alemanha, que, mesmo com menos da metade da população brasileira, conta com 530. Não por acaso, o primeiro albergue da juventude no mundo foi inaugurado lá, na cidade de Altena, em 1909, com o objetivo de oferecer melhores condições para hospedagem estudantil. Hoje, famílias e até mesmo executivos têm aderido aos hostels em suas viagens.

Além de, na maioria dos casos, possuírem quartos que são compartilhados por vários hospedes, Lazoski julga que "a diferença entre um hostel e um hotel é que a maioria não tem serviços como os de arrumação de cama, de quarto, ou mesmo telefone". Isso não impossibilita, segundo ele, que os albergues procurem se diferenciar do modelo padrão. No Atma, os seis quartos disponíveis costumam ser usados por até dezesseis clientes, "que têm acesso a ofurô, sauna a vapor, arrumação de quartos e até aulas de pilates".

Aberto em 2005, no bairro nobre do Itaim Bibi, o albergue também oferece serviço de restaurante. O pacote de serviços faz com que Lazoski o defina como um hostel boutique . "É o único do tipo no Brasil", diz. Isso, é claro, tem um preço: enquanto um albergue normal cobra diária de R$ 40 a R$ 50, o Atma custa R$ 99 ao dia e é voltado, principalmente, para executivos fazendo turismo de negócios.

Enquanto média nacional de ocupação dos hotéis é de 70%, segundo o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), São Paulo atingiu picos de 80%, em 2011. "Isso mostra que ainda há muito espaço pra crescer", diz Lazoski. Ele espera um retorno de cerca de 30% ao ano sobre o capital investido no hostel .

Negócio em expansão
Natal está entre as cidades-sede da copa que ainda não resolveram seu déficit de leitos. Enquanto as autoridades avaliam a possibilidade da utilização de navios-hotéis como solução para acomodar os turistas em 2014, a empresária Luzinete Gomes - a Dona Lu - confirma que a capital do Rio Grande do Norte tem tido um aumento contínuo da procura por acomodação. Dona do Hostel Verdes Mares, ele diz que viu a demanda triplicar nos últimos anos.

Depois de trabalhar por mais de uma década em uma multinacional, ela diz ter decidido montar seu próprio negócio. A primeira tentativa, uma loja - que abriu com a irmã - não deu certo. Inspirado pelo albergue Lua Cheia, o primeiro da cidade, o filho da empresária sugeriu a ela que investisse no segmento. Depois fazer um curso rápido de turismo no Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio ao Empresário), ela buscou orientação junto à Federação Brasileira dos Albergues da Juventude e adaptou a casa para comportar os primeiros 14 leitos de seu hostel .

"Eu não sabia nada de turismo, mas tinha uma casa própria - o que foi importante na hora de investir", conta. Hoje, o negócio conta com 53 leitos, que ela espera ampliar com mais três apartamentos, além de cozinha comunitária e uma piscina. "Nosso diferencial está no preço. Em Natal, a diária de hotel ou em uma pousada custa de R$ 600 a R$ 800. Aqui, cobramos de R$ 40 a R$ 50", diz ela.

O negócio é filiado à rede Hostelling International e, segundo ela, por causa disso recebe turistas o ano inteiro. "Quando está nevando no Canadá, os turistas vêm para cá", diz Dona Lu.

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Especial para o Terra























Fonte: Terra

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